France Presse
De Paris
O Ocidente está recebendo a denúncia de limpeza étnica contra a Indonésia em meio ao repúdio geral e hesitações.
Em Paris, o presidente Jacques Chirac anunciou que a França atuará no Conselho de Segurança para que a Organização das Nações Unidas assuma suas responsabilidades, como em Kosovo.
O ministro alemão das relações exteriores, Josckha Fischer, foi um pouco mais longe. De Berlim ele advertiu a Indonésia: se o país não detiver ‘‘imediatamente’’ sua ‘‘política de terror e de expulsão’’, a segurança da população ‘‘terá que ser entregue a uma missão de paz’’.
O governo italiano emitiu declaração moderada enquanto que a Austrália já ofereceu tropas para impedir a ‘‘limpeza étnica’’ como está sendo qualificada a ação de Jacarta, definida na edição desta quinta-feira do jornal parisiense ‘‘Le Monde’’.
A Tailândia também ofereceu suas tropas. Canadá, Irlanda e Portugal desejam uma intervenção.
A revista francesa ‘‘Le Monde Diplomatique’’ detalhou na edição desta quarta-feira a política de matanças e deportações, que chamou de ‘‘genocídio’’.
Tanto a Austrália quanto as Nações Unidas falam de intervenção militar, mas com a autorização da própria Indonésia, o que foi naturalmente recusado.
Os Estados Unidos, superpotência indispensável em caso de intervenção de uma força militar multinacional no Timor, ameaçou até agora o governo agressor apenas com sanções econômicas e um porta-voz da Casa Branca chegou a declarar que a Indonésia deve pôr ordem em casa ou ‘‘convidar’’ uma força militar internacional para fazê-lo em seu lugar.
A Indonésia, o mais importante país muçulmano do mundo quanto à população, invadiu e anexou em 1975 o Timor Leste com população católica e que se preparava para a independência da potência colonial, Portugal.
Ninguém, exceto a vizinha Austrália, reconheceu a anexação e o Conselho de Segurança da ONU emitiu duas resoluções nos anos 70 exigindo a retirada das tropas agressoras e reiterando o direito do povo timorense de viver em liberdade.
Resoluções que não impediram, segundo ‘‘Le Monde Diplomatique’’, que a Indonésia mantivesse a anexação que causou até este novo drama ‘‘200 mil mortos, vítimas da repressão ou da fome’’.
Segundo a revista, falta de intervenção militar no Timor significa ‘‘condenar os timorenses orientais aos massacres e ao genocídio’’.
Os partidos políticos franceses em maioria condenaram nesta quarta-feira a limpeza étnica em marcha no Timor.
O RPR, partido neogaullista do presidente Chirac, declarou que ‘‘se preocupa com o mutismo do governo francês’’ e expressou ‘‘sua viva emoção ante o massacre e a purificação étnica’’.

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