O presidente sérvio, Slobodan Milosevic, e a oposição, aparentemente irreconciliáveis, esperam que o Ocidente intermedie a crise política sem precedentes que sacode a Sérvia há um mês.
A pedido de Milosevic, a Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) aceitou enviar em breve uma missão para Belgrado para investigar o que ocorreu nas eleições municipais de 17 de novembro passado, das quais tanto o poder quanto a oposição reinvidicam a vitória. Através da OSCE, as principais potências ocidentais exercem, portanto, um papel de árbitros.
O partido Nova Democracia (ND), integrante da coalizão governista junto ao Partido Socialista (SPS) de Milosevic e a Esquerda Iugoslava (JUL) de sua esposa, Mira Markovic, reconheceram este papel ocidental e reinvindicaram a absoluta imparcialidade.
‘‘O Nova Democracia aprova a posição da União Européia e da OSCE e está convencida de que os resultados da missão da OSCE dissiparão muitas ilusões, não só dos apoderados locais (membros do SPS), senão também da oposição’’, expressou o ND em comunicado difundido ontem pela agência oficial Tanjug.
A missão da OSCE, segundo o ND, ‘‘deve dizer a verdade aos cidadãos - em relação às eleições municipais - e restaurar a paz e a confiança nas instituições’’.
Mas, a tarefa do Ocidente é uma missão quase impossível. Deve-se resolver a crise sem humilhar Milosevic nem menosprezar à oposição, que um dia poderia assumir o poder.
O Presidente sérvio mantém um grande trunfo a seu favor: os ocidentais o reconheceram como um dos principais responsáveis pelos acordos de paz de Dayton sobre a Bósnia e dificilmente poderão voltar atrás. O jornal Novosti, ligado ao poder, citava ontem recentes declarações do alto representante civil na Bósnia, Carl Bildt, segundo o qual ‘‘a comunidade internacional não tem interesse em que a Sérvia se afunde’’.
A oposição, por sua vez, em um mês de protestos, ganhou a simpatia e o apoio das potências ocidentais e especialmente dos Estados Unidos, que pediu repetidamente a Milosevic que respeite o jogo democrático.
A União Européia se referiu à próxima missão da OSCE em Belgrado durante a recente reunião de cúpula em Dublin e destacou que a organização ‘‘desejará examinar as condições de sua missão, principalmente no tocante ao direito de recomendar que a anulação das eleições seja revogada ou que elas se repitam.’’
O Ocidente parece sre o último recurso, enquanto que, apesar de certas tentativas de aproximação, um fosso continua separando o poder sérvio e a oposição.
Um tribunal da cidade sérvia de Nis (sul) anulou a vitória do poder nas eleições municipais e ordenou à comissão eleitoral que volte a examinar os resultados da votação.
O tribunal concedeu dez dia de prazo para a comissão revisar os resultados, na primeira vez que a justiça aceita as reclamações da oposição desde o início do movimento de protesto contra os resultados obtidos pelo Partido Socialista do presidente Slobodan Milosevic. Mais de 50.000 pessoas participaram de uma manifestação ontem, na capital, contra o regime de Milosevic.

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