Washington - Estados Unidos, União Europeia e Canadá anunciaram ontem sanções contra autoridades russas, como forma de pressionar Moscou depois que a Crimeia proclamou sua independência e a integração à Rússia.
Essas decisões de países aliados não intimidaram o presidente russo, Vladimir Putin, que assinou o decreto com o qual reconhece a independência da República ucraniana da Crimeia, informaram agências de notícias russas.
"Levando-se em conta a vontade dos povos da Crimeia expressa durante o referendo do dia 16 de março de 2014", a Rússia decidiu "reconhecer a República da Crimeia como Estado soberano e independente, onde a cidade de Sebastopol tem um status especial", segundo o texto do decreto publicado pelo Kremlin.
O decreto entra em vigor "no dia de sua assinatura", completa o texto.
Ocupada há mais de duas semanas por tropas russas, a Crimeia votou em massa no domingo a favor da anexação da região pela Rússia em um referendo considerado ilegal por Kiev e pela comunidade internacional.
Em resposta a esses fatos, Kiev iniciou uma mobilização parcial de suas tropas e convocou seu embaixador na Rússia.
As sanções ocidentais, anunciadas quase ao mesmo tempo em Washington e Bruxelas, e pouco depois em Ottawa, envolvem uma quantidade bastante limitada de autoridades russas. A princípio, não afetam o presidente russo, mas sim seus assessores.
A Casa Branca apontou para 11 pessoas: sete russas e quatro acusadas de complô com a Rússia na Ucrânia. Entre elas, estão o presidente ucraniano deposto Viktor Yanukovytch e um conselheiro, assim como dois líderes separatistas da Crimeia, Serguei Axionov e Volodimir Konstantinov.
Entre os russos, que teriam bens a serem congelados nos Estados Unidos, estão o vice-primeiro-ministro Dimitri Rogozin, a presidente do Conselho da Federação (Senado russo), Valentina Matvienko, e dois assessores de Putin (Vladislav Surkov e Serguei Glazyev), além de dois membros da Duma (a Câmara Baixa do Parlamento).
O presidente americano, Barack Obama, advertiu que está disposto a impor mais sanções, se Moscou não mudar de postura. "Novas provocações apenas vão aumentar mais o isolamento da Rússia e reduzir sua estatura no mundo", declarou Obama, enquanto a Casa Branca advertiu que "os atos de violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia têm consequências".

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