Clamando por sua vida no início de seu julgamento - na Ilha de Inrali, Turquia -, o líder dos rebeldes curdos, Abdullah Ocalan, pediu desculpas ontem aos parentes dos soldados turcos mortos pelos guerrilheiros separatistas e prometeu trabalhar pela paz caso escape da pena de morte.
‘‘Pela paz e a fraternidade, estou pronto para servir o Estado turco, e eu acredito que devo permanecer vivo para atingir tais objetivos’’, disse Ocalan, aparentemente hesitante e nervoso enquanto falava em um microfone.
‘‘Compartilho a dor das famílias dos mártires’’, declarou Ocalan, referindo-se às mães dos soldados turcos mortos no conflito separatista. ‘‘Sinto muito’’. O líder curdo também alertou que, caso fosse condenado à morte, ‘‘milhares de pessoas lutariam e causariam a morte de centenas de milhares de pessoas’’.
Para ele, a melhor saída é o tribunal libertá-lo, pois assim poderia conversar com os curdos e ‘‘negociar um cessar-fogo unilateral em três meses’’.
Temendo possíveis ataques, as autoridades turcas adotaram medidas extremas de segurança para o julgamento de Ocalan. Navios de guerra patrulham a costa de Imrali e helicópteros da polícia sobrevoam constantemente a praia em Mudanya, o porto mais próximo da ilha.
A polícia também montou barreiras nas estradas que levam a Mudanya, para checar a identidade de todos que quiserem entrar na cidade.
Líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Ocalan foi preso pelas autoridades turcas em 15 de fevereiro em Nairóbi. Sua prisão revoltou os curdos e simpatizantes, que realizaram protestos violentos em toda a Europa,.
Durante 15 anos, as guerrilhas comandadas por Ocalan enfrentaram os soldados turcos nas montanhas do sudeste do país. Eles reivindicam a independência da região ou, pelo menos, a autonomia para o povo curdo. Ocalan formou o PKK em 1978. Desde o início da campanha separatista, em meados dos anos 80, cerca de 37 mil pessoas morreram, a maioria curdos.
Os guerrilheiros curdos reelegeram Ocalan como seu presidente após a sua captura. O grupo responde agora através de uma liderança coletiva, que vem repetindo a convocação de Ocalan por uma solução negociada.

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