Restam apenas alguns dias para o primeiro-ministro japonês, Keizo Obuchi, conseguir um compromisso sólido com a oposição sobre a questão crucial do saneamento do sistema bancário japonês, um assunto em que joga sua carreira política, estimaram ontem os analistas.
Depois de um mês de negociações intermináveis no parlamento sobre este assunto tão importante para a retomada da economia japonesa, o sentimento generalizado é que chegou a hora da verdade para Obuchi, apenas dois meses depois de assumir a chefia do governo japonês.
Na sexta-feira passada, um acordo verbal foi conseguido entre seu partido, o Partido Liberal-Democrata (PLD) e a oposição conservadora.
Não obstante, em várias ocasiões esse compromisso deu a impressão de fracassar, quando a oposição acusou a maioria de não cumprir a promessa quanto a maneira de utilizar os fundos públicos para salvar os bancos em perigo de quebra.
O objeto da discórdia é um conjunto de seis projetos de lei sobre o saneamento dos bancos japoneses, que não podem ser adotados pelo parlamento sem o apoio de pelo menos uma parte da oposição, na medida em que o PLD é minoritário na Câmara Alta.
O recesso parlamentar começa no próximo 7 de outubro. Não obstante, Obuchi deverá configurar um pacote viável e claramente aceito pela oposição o mais tardar até 30 se setembro, data em que são fechadas as contas semestrais dos bancos, informam os analistas econômicos.
Em caso de tal acordo não ser conseguido, corre-se o risco dos mercados reagirem muito mal, principalmente agora que certos bancos japoneses, à beira do colapso, por causa da queda da bolsa de Tóquio, podem ficar na situação de não poder honrar seus compromissos internacionais.
Se os citados projetos de lei não forem adotados no parlamento nos prazos necessários, alguns analistas não excluem a demissão de Obuchi antes do final do ano e a convocação de eleições antecipadas, para pôr fim a esta situação.

mockup