Obuchi busca ministro das Finanças confiável
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Frédéric Garlan France Presse 
O futuro primeiro-ministro do Japão, Keizo Obuchi, continua buscando um homem que possa ocupar a pasta de Finanças e tornar-se o número dois do governo, uma tarefa de grande magnitude por causa da recessão que continua afugentando os candidatos.
O ex-primeiro-ministro Kiichi Miyazawa, o ex-secretário-geral do Partido Liberal Democrata (PLD, no poder), Koichi Kato, e o veterano Seiroku Kajiyama, cujos nomes foram mencionados no fim da semana passada, aparentemente rejeitaram o cargo, segundo a agência de notícias Jiji Press.
Os mercados, que não estavam satisfeitos com a eleição de Obuchi, sentiram o golpe. A moeda japonesa caiu a 142 ienes por 1 dólar ontem (contra 140,53/55 por 1 dólar sexta-feira) e a Bolsa de Tóquio fechou perdendo 2,6%, terminando pela primeira vez desde o começo deste mês abaixo da barreira psicológica dos 16.000 pontos.
Obuchi, eleito sexta-feira passada à presidência do PLD, será nomeado seguramente primeiro-ministro pela Dieta (Parlamento) na próxima quinta-feira. Seu gabinete deve estar completo na data, pois o país não está em condições de suportar um vazio de poder.
A sessão parlamentar que começará na mesma quinta-feira terá que examinar um projeto de lei crucial sobre o saneamento do setor bancário.
Obuchi, consciente de sua impopularidade nos meios financeiros, disse, ao ser eleito presidente do PLD, que buscaria um ministro de Finanças capaz de desempenhar o papel de um verdadeiro número dois de seu governo.
De certa forma, o ministro de Finanças terá mais responsabilidade política que o primeiro-ministro. Seu papel não consiste em pedir que o sigam, mas em atuar como um gerente geral, disse Obuchi domingo.
Quero uma pessoa na qual possa confiar para mostrar a determinação do governo de enfrentar com valentia os problemas econômicos, destacou.
Segundo o principal jornal japonês, o Yomiuri Shimbun, Obuchi esperava dar um sinal forte, anunciando a nomeação de Miyazawa, de 78 anos, como ministro de Finanças e vice-primeiro-ministro. Durante os últimos meses, o ex-primeiro-ministro desempenhou um papel importante na formulação das medidas destinadas a sanear os bancos afetados por créditos morosos. Todavia, a demora no anúncio oficial do novo ministro cria uma expectativa negativa no país.


