São Paulo - Intensos combates entre soldados e rebeldes sírios foram registrados ontem nos arredores de bases militares na província de Alepo, no norte da Síria, depois da tomada pelos rebeldes de um aeroporto militar.
''Os combates entre soldados e combatentes da Frente al-Nosra, Liwa al-Tawhid e Mouhajirine, estão acontecendo nos arredores de uma base chamada Brigada 80, que os rebeldes tentam tomar o controle'', indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
A base garante a segurança do aeroporto militar de Alepo e do aeroporto militar de al-Nairab, de acordo com o OSDH, que conta com uma ampla rede de ativistas e médicos.
Anteontem, os rebeldes tomaram o controle do aeroporto militar de al-Jarrah, assim como munições e aviões MIG, e lançaram ataques contra outras bases aéreas da região, onde dezenas de combatentes de ambos os lados morreram.
Os rebeldes concentram seus ataques contra bases aéreas, fontes de armas e munições, e para tirar de ação os caças utilizados pelo regime.
O Centro de Mídia de Alepo indicou que a eletricidade e a água foram cortadas pelo quarto dia consecutivo, alertando para o risco de uma ''catástrofe humanitária'' na cidade.
Comentando a progressão dos rebeldes em Alepo, o diretor do OSDH, Rami Abdel-Rahman, considerou que o Exército tem diminuído suas forças no norte da Síria para proteger melhor o centro.
''O Exército resiste com muita dificuldade ao progresso dos rebeldes nas bases do norte, enquanto luta ferozmente em Daraya, perto de Damasco, e em Homs, no centro do país'', indicou Abdel-Rahman. ''O regime sabe que deve proteger partes do território para negociar, no caso de uma transição política'', acrescentou.
Apesar dos avanços dos rebeldes, o regime bombardeou Sfeira, ao sudeste de Alepo, e al-Bab, no noroeste, de acordo com o OSDH. Perto da capital, os aviões do regime realizaram dez ataques contra a cidade rebelde de Deir al-Assafir, segundo a Comissão Geral da Revolução Síria, uma rede de ativistas.
Além disso, combates foram registrados nas duas principais rodovias a leste e oeste da cidade de Homs, de acordo com os rebeldes.
Os insurgentes tentam ''reduzir a pressão sobre a população nos bairros (de Homs) cercados e bombardeados'' pelo Exército há quase oito meses, explicou o militante Idriss Arraba.
Pelo menos 190 pessoas, incluindo 79 soldados e 76 rebeldes, foram mortos terça-feira na Síria, um dos dias mais sangrentos, de acordo com um relatório do OSDH. A chefe do Alto Comissariado para Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse que o número de mortos no conflito já ultrapassou os 70 mil.

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