Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi eleito com a promessa de retirar as tropas americanas do Iraque e cumpriu o prometido. Agora, lança ataques aéreos para impedir a "barbárie" dos jihadistas, reabrindo, com muitas reservas, um capítulo que já considerava concluído.
Aquele que, no final de 2011, comemorava ter deixado "um Estado soberano, estável", após quase nove anos de ocupação, torna-se o quarto presidente americano consecutivo a empreender uma ação militar no Iraque, depois de George Bush, Bill Clinton e George W. Bush.
Durante um pronunciamento na quinta-feira à noite na Casa Branca, o presidente americano se referiu ao fantasma de um "genocídio" para explicar sua decisão de ajudar milhares de cristãos e membros da minoria yazidi ameaçados de morte pelos jihadistas ultrarradicais do grupo Estado Islâmico (EI).
Segundo um funcionário americano de alto escalão, os Estados Unidos não se envolverão em uma "campanha prolongada".
"Como comandante-em-chefe (das Forças Armadas), não permitirei que os Estados Unidos sejam arrastados para uma nova guerra no Iraque", garantiu Obama.
Apesar da promessa, já no primeiro dia dos ataques é impossível prever o rumo dos acontecimentos. "A pressão sempre vai aumentar para os Estados Unidos fazerem mais, porque eles já admitiram que há um problema lá", avaliou o professor de História Julian Zelizer, da Universidade de Princeton.
"Nesse momento, não sabemos, mas é claramente previsível que sua promessa de que isso será limitado não vai se confirmar", acrescentou.
As linhas traçadas pela Casa Branca - proteção dos americanos e ajuda aos civis encurralados - deixam uma margem suficientemente ampla para as interpretações, o que impedirá prever a amplitude e a duração dos bombardeios.

mockup