Obama tem a missão de tirar país da crise
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quinta-feira, 06 de novembro de 2008
Folhapress 
São Paulo- Depois de uma eleição histórica, o democrata Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e agora será o responsável por tirar o país da maior crise financeira desde a Grande Depressão, nos anos 1930.
Na Casa Branca, com o apoio da maioria conquistada no Congresso, Obama toma posse com o peso da desaceleração econômica e o fantasma da recessão assombrando os americanos. No mundo, ele assume com o peso de suas promessas de ampliar relações, encerrar a Guerra do Iraque e derrotar a Al Qaeda no Afeganistão.
O caminho será longo. Nossa subida será íngreme. Nós talvez não cheguemos lá em um ano ou mesmo em um mandato, admitiu o presidente eleito, em seu discurso de vitória a 200 mil espectadores no parque Grant, em Chicago.
O democrata, apontam os analistas, entusiasmou os eleitores com as promessas de mudança em um ano que o presidente George W. Bush enfrenta as piores taxas de aprovação das últimas décadas. Agora, terá de provar como, exatamente, trará novos ares para Washington.
Ele vai chegar no governo e perceber que não tem dinheiro para as promessas que fez e aí estará diante de decisões difíceis e impopulares, afirma Donald Kettl, professor de ciência política da Universidade da Pensilvânia.
Obama enfrentará não apenas o curto orçamento, mas o desafio de transformar suas promessas de campanha sobre impostos, saúde, energia e educação em um grupo de prioridades do Legislativo para os seus dois primeiros anos no poder.
A habilidade de Obama para administrar as relações com os líderes democratas no Congresso, com os republicanos, e com congressistas liberais com agenda própria também terá forte influência sobre seu mandato.
Se os desafios são muitos, a prioridade de Obama será a economia. O democrata vai se deparar com um país arrasado. O Departamento do Tesouro triplicou suas expectativas de venda de títulos de dívida para ajudar a financiar o déficit orçamentário. Para o trimestre até 31 de dezembro, a projeção é de que o governo tenha de captar US$ 550 bilhões para financiar o buraco no Orçamento. Em julho, a projeção era de US$ 142 bilhões. Entre julho e setembro, o governo captou o recorde de US$ 530 bilhões.
Embora apenas 9% dos eleitores tenham indicado o terrorismo, segundo pesquisas de boca-de-urna da CNN, um dos principais desafios do governo de Obama é definir o futuro da guerra contra o terror.
Sete anos depois da invasão do Afeganistão pelos EUA, o Taleban e a Al Qaeda intensificam os ataques no vizinho Paquistão em um claro sinal de que não estão dispostos a recuar. E para retomar uma ofensiva capaz de cumprir sua promessa de acabar com a Al qaeda e derrotar Osama bin Laden, Obama precisará do apoio dos aliados europeus, que não sinalizam estar dispostos a investir mais soldados e dinheiro nos conflitos liderados pelos EUA.


