Obama reitera que fechará prisão até 2010
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
Folhapress 
Nova York - Acusando o governo anterior de ter criado uma bagunça com as controversas detenções em Guantánamo, o presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu em discurso ontem seu plano de fechar a prisão até janeiro de 2010 e disse que o país só estará seguro se basear suas políticas em valores fundamentais de justiça e liberdade.
Ao mesmo tempo, confirmou sua intenção de levar alguns dos presos de Guantánamo a penitenciárias e tribunais dentro dos EUA e indicou que vários outros serão detidos indefinidamente e sem julgamento.
Obama escolheu como cenário da fala o Museu dos Arquivos Nacionais, em Washington, onde discursou rodeado pela Constituição, pela Carta dos Direitos e pela Declaração de Independência dos EUA.
Acredito firmemente que no longo prazo não podemos manter esse país seguro se não colocarmos em prática nossos valores mais fundamentais. Não digo isso apenas por idealismo, (...) mas porque eles nos fortalecem, afirmou.
A fala vem em momento delicado para o governo. O fechamento de Guantánamo em um ano, determinado pelo presidente logo após a posse, enfrenta críticas dos que temem a soltura de terroristas e a manutenção destes em solo americano. Mesmo o Congresso de maioria democrata negou fundos para fechar a prisão sem um plano mais detalhado sobre o destino dos detidos.
Obama responsabilizou o antecessor George W. Bush ao dizer que a questão do destino dos presos não foi criada por minha decisão de fechar o complexo. O problema existe por causa da decisão de abrir [a prisão em] Guantánamo.
Ele disse que as decisões tomadas nos últimos oito anos estabeleceram uma abordagem legal ad hoc (extraordinária e para um fim específico) que não foi nem eficiente nem sustentável e deixou de usar nossos valores como bússola.
Mais de 525 detidos foram libertados de Guantánamo sob o governo Bush (...) antes da minha chegada ao poder e da ordem de fechar a prisão. Guantánamo provavelmente criou mais terroristas no mundo do que jamais
deteve.


