Obama nomeia o czar antidrogas
Nova York - Em nota escrita na qual destaca a violência no México e a ''doença do vício'' nos EUA, o presidente Barack Obama nomeou ontem Gil Kerlikowske, chefe de polícia de Seattle, o czar antidrogas da Casa Branca.
Os comentários indicam a ambiguidade quanto à abordagem do problema por Obama -para especialistas, ele deve focar, internamente, na políticas de redução de danos, mas, no front externo, manter a cooperação militar e de inteligência no combate ao narcotráfico.
''Nunca foi tão importante ter uma estratégia nacional de controle de drogas guiada por princípios sólidos de segurança e saúde pública'', diz o presidente na nota. ''Temos de mostrar a nossos parceiros internacionais, às organizações (criminosas) que ameaçam a estabilidade (...) desses países e ao povo americano que levamos a sério a responsabilidade de reduzir o consumo de drogas nos EUA.''
O recado foi sobretudo orientado para o vizinho do sul, cuja escalada de violência vazou para os Estados americanos de fronteira e preocupa Washington. Em janeiro, o Departamento da Defesa dos EUA soltou um relatório em que dizia que o surto alimentado pelos cartéis de drogas poderia levar o México a falir como Estado.
Na cerimônia de nomeação de Kerlikowske, o vice-presidente Joe Biden afirmou que o ex-chefe de polícia supervisionará uma estratégia para melhorar a troca de informações e o uso de tecnologia com o vizinho. O czar ainda coordenará esforços de intercepção do fluxo de drogas do sul para o norte da fronteira e de armas e dinheiro do norte para o sul. Os EUA consomem hoje 90% da droga vinda do México.
A chefia do Escritório Nacional de Políticas de Controles de Drogas perderá, entretanto, seu status ministerial. Ainda assim, Kerlikowske terá linha direta com a Casa Branca.
Também no front externo, a atenção será mantida no Afeganistão e na Colômbia. E, em países onde a segurança não ameaça os EUA, o governo deverá bancar a visão de que a redução dos danos aos usuários é mais eficaz que a repressão.
Essa abordagem não é a adotada no momento. ''Os EUA rejeitaram a linguagem da redução de danos na Comissão de Narcóticos das Nações Unidas'', afirmou à reportagem Ethan Nadelmann, diretor da Rede de Alianças para Políticas de Drogas. ''Mas creio que isso mudará em um ano. Já é significativo a delegação dos EUA ter defendido pela primeira vez programas de troca de seringas.''





