Obama não consegue se distanciar do rival
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sábado, 02 de agosto de 2008
Sérgio Dávila<br>Folhapress 
Washington - A quase três meses das eleições e considerado o favorito na corrida pela Presidência dos EUA, Barack Obama não consegue ultrapassar a barreira dos 50% nas pesquisas nacionais de intenção de voto. Mais: segundo os mesmos levantamentos, apesar de ligeiramente à frente, o senador democrata não consegue se afastar da margem do empate técnico em sua vantagem sobre o oponente republicano, John McCain.
Analistas coçam a cabeça em busca do motivo para a demora em romper esse teto, e muitos se questionam se isso de fato vai acontecer até o dia das eleições, em 4 de novembro. A persistir a situação, os americanos irão às urnas naquele dia sem um franco favorito na corrida, e grupos minoritários como os moderados de cada partido, os indecisos e os independentes ganharão importância extra.
Segundo pesquisa nacional feita na semana passada pelo renomado Pew Research Center, Obama bate seu oponente republicano por 47% a 42%. Em pesquisa idêntica do mês anterior, os índices eram respectivamente 48% a 40%. No meio do caminho, houve a amplamente divulgada viagem do democrata à Europa e ao Oriente Médio. A média atual de pesquisas aponta a mesma tendência, segundo o site agregador RealClearPolitics: 46,5% a 43,9%.
Embora as eleições norte-americanas sejam decididas Estado a Estado, que apontam delegados que votam num colégio eleitoral de acordo com o resultado das urnas, os levantamentos nacionais apontam uma tendência que ajuda a decifrar o estado de espírito do eleitor. ''Confunde o fato de Obama não ter rompido ainda a barreira dos 50% nas pesquisas nacionais'', disse à reportagem o analista político Timothy Carney.
Para o autor conservador do livro ''The Big Ripoff'' (O Grande Golpe, 2006, John Wiley & Sons), que critica a presença excessiva do Estado na economia, os números ''sugerem que muitos independentes e democratas estão preocupados com sua juventude e inexperiência''. Ele levanta outra questão: ''Ser negro provavelmente o está prejudicando''.
Apesar de 68% dos eleitores terem dito que o país está pronto para um presidente negro, em pesquisa encomendada pela CBS News em junho, 22% dos brancos disseram que a raça do candidato será levada em conta quando eles forem às urnas. ''Essa ainda é uma questão em aberto, embora eu ache que o país esteja na direção correta'', disse Michael Fauntroy, professor de direitos civis da Universidade George Mason, na Virgínia.
Outra questão que estaria barrando a ascensão de Obama é o chamado ''fator amor-ódio''. O sentimento foi detectado por uma pesquisa feita a pedido da emissora NBC e do diário econômico ''Wall Street Journal''. Um em cada quatro eleitores tem fortes sentimentos positivos em relação a Obama - mesma proporção dos que têm forte sentimento negativo. Esses índices são perto de um em dez em ambos os sentidos para John McCain. É como se as pessoas não ligassem muito para o republicano, mas se importassem além da conta com o democrata, disse Neil Newhouse, que conduziu parte da pesquisa.


