Obama lança plano ambicioso de energia limpa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de agosto de 2015
Thais Bilenky<br> Folhapress 
Nova York, EUA - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem o Plano de Energia Limpa, o mais ambicioso do país até hoje para enfrentar as mudanças climáticas. O pacote inclui o corte de 32% na emissão de carbono por usinas termelétricas até 2030 em comparação com os níveis de 2005. Além disso, o plano incentiva o uso de fontes de energia renovável como a solar e a eólica em substituição a combustíveis fósseis.
As usinas deverão aumentar de 22% para 28% a parcela de fonte de energia limpa empregada. Cada Estado terá metas específicas. É a primeira vez que os Estados Unidos limitam a quantidade de carbono emitida por usinas, disse Obama. Esse é mais um ato entendido como parte do esforço de Obama por seu legado, e deverá pautar a campanha presidencial de 2016. O democrata enfrenta a oposição do Partido Republicano, que atiça líderes estaduais e a iniciativa privada para inviabilizar o pacote de medidas.
A oposição articula uma ação coletiva contra as metas impostas pelo governo federal que incluiria 25 unidades federativas, segundo o jornal "The New York Times". O partido orienta governadores a não acatarem as normas. Os republicanos contarão com o apoio da indústria tradicional, que perderá espaço e poderá ser taxada pela emissão de poluentes. Se sobreviver aos processos judiciais, o plano poderá causar o fechamento de centenas de usinas movidas a carvão e a suspensão da construção de novas unidades. A Casa Branca também prevê incentivos aos Estados que adotarem o mercado de carbono, sistema pela qual indústrias que emitem menos poluentes que o previsto podem vender sua cota a indústrias que emitem acima do permitido.
O governo enumera benefícios do plano como melhoras na saúde da população - evitará a morte prematura e reduzirá a incidência de asma em crianças, diz. Criará empregos e trará uma economia de US$ 85 (R$ 290) para as famílias nos gastos anuais com energia em 2030.
O anúncio também é visto como um gesto de Obama pelo protagonismo no debate mundial sobre as mudanças climáticas. A Casa Branca já havia anunciado metas conjuntas com a China em 2014 e com o Brasil no mês passado. E a questão também será tratada durante a visita do papa Francisco aos Estados Unidos em setembro. Com o plano, Obama pretende liderar a discussão da COP 21, cúpula sobre o clima que envolve quase 200 países com intermediação das Nações Unidas. A reunião, no final do ano, na França, deverá resultar no Protocolo de Paris, em substituição ao de Kyoto, na fixação de metas mundiais de combate às mudanças climáticas.


