Obama incentiva mudança em Cuba e afirma que Guerra Fria acabou
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terça-feira, 22 de março de 2016
Marcelo Ninio<br>Folhapress 
Havana O presidente dos EUA, Barack Obama, fez ontem, em Havana, um discurso endereçado à população de Cuba, em que ressaltou uma mensagem de paz, disse que é preciso "abraçar a mudança" e que o objetivo da histórica viagem é "enterrar" a Guerra Fria. "Não devemos temer a mudança, devemos abraçá-la", disse. O ditador Raúl Castro assistia, da plateia, ao discurso de Obama no Grande Teatro Alicia Alonso.
Obama foi aplaudido de pé quando voltou a pedir ao Congresso americano o fim do embargo econômico a Cuba, em vigor desde 1962. A reaproximação entre os dois países, iniciada no fim de 2014, corrige uma política fracassada mantida nas últimas décadas pelos EUA, disse o presidente.
Em boa parte de seu discurso, Obama defendeu mudanças e liberdades para a população de Cuba, deixando claro, no entanto, que a mudança deverá partir dos cubanos, e não de uma intervenção americana. "Não posso forçá-los a acreditar, mas devem saber o que penso", disse, enfileirando uma série de direitos, como liberdade de expressão, de fé, de organização, de manifestação e voto em eleições democráticas. "Nem todos concordam comigo, mas acredito que esses direitos humanos são universais, são direitos dos americanos, dos cubanos e de pessoas de todo o mundo."
O americano citou o fato de Cuba também criticar os EUA por uma "longa lista" de problemas na área de direitos humanos, mas afirmou que a possibilidade de se manifestar e de debater permitiu que mudanças ocorressem em seu país e até que ele acabasse eleito presidente. "O fato de termos debates abertos é o que nos permite melhorar."
Apesar da mensagem amistosa, entremeada de frases em espanhol, Obama não venceu a desconfiança de muitos presentes. "Ele diz que cabe aos cubanos decidir o futuro de Cuba, a questão é a que cubanos se refere, os trabalhadores, estudantes e camponeses ou os mercenários pagos para criticar o regime", disse o estudante Vicente Díaz, de 21 anos. O discurso aos cubanos fez parte da programação do último dia de visita de Obama a Cuba, antes de partir em direção à Argentina.


