Obama faz elogios a Macri em encontro em Buenos Aires
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quarta-feira, 23 de março de 2016
Luciana Dyneiwicz<br>Folhapress 
Buenos Aires - Com elogios de ambos os lados, Estados Unidos e Argentina retomaram suas relações amistosas ontem em Buenos Aires, durante visita do presidente Barack Obama ao país. De 2003 a 2015, nos três mandatos kirchneristas (principalmente nos últimos dois), a Argentina havia se afastado dos americanos, por questões ideológicas, e se aproximado principalmente de China e Venezuela.
As mudanças adotadas pelo presidente de centro-direita Mauricio Macri, que recentemente completou cem dias no poder, têm agradado os EUA e renderam elogios de Obama a seu colega. "Estamos impressionados com o que Macri fez em tão pouco tempo", disse o americano, referindo-se às novas políticas econômicas, que incluem a redução do protecionismo comercial e o fim do controle cambial. "Estou triste porque terei apenas nove meses para trabalhar com ele", acrescentou o americano deixará a Presidência em janeiro de 2017.
Para Obama, Macri deve ser um exemplo para os outros líderes da região e a Argentina precisa reassumir sua importância no mundo. Já Macri disse que seu par é uma inspiração para a maioria dos dirigentes. O presidente argentino também criticou sutilmente a política exterior de sua antecessora, Cristina Kirchner, ao afirmar que agora se inicia uma etapa de "relações maduras, inteligentes e construtivas". Sobre um acordo de livre comércio entre os dois países, Macri pontuou que ainda há muito espaço para incrementar as trocas bilaterais e que é preciso consolidar o Mercosul para depois analisar um tratado mais amplo.
DITADURA
Como havia sido anunciado na semana passada, Obama confirmou que fará um esforço para liberar documentos sigilosos dos EUA relacionados à última ditadura argentina (1976-1983), incluindo registros militares e dos serviços de inteligência. Questionado sobre a participação dos Estados Unidos na ditadura, Obama foi evasivo. "A política exterior de qualquer país tem momentos de grande sucesso e glória, mas também tem momentos que não tiveram resultados positivos, que foram contrários ao que acho que os EUA devem representar."
Devagar e medindo as palavras, destacou que nos anos 1970 a preocupação dos EUA com direitos humanos era tão importante quanto a luta contra o comunismo. Obama também abordou os ataques ocorridos na Bélgica na terça e disse que acabar com o terrorismo é sua prioridade número um.


