Obama está bombando na periferia
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quinta-feira, 06 de novembro de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Londrina - Barack Obama é o cara. Em Washington, no vilarejo queniano onde ainda vive a família dele, na Cuba de Fidel, no Afeganistão de Bin Laden, e até em Londrina, a eleição do primeiro Superman negro da América é o assunto da hora. A onda de otimismo gerada pela eleição avassaladora do democrata rodeou o mundo e parece ter molhado a semente de otimismo que perigava morrer com a crise financeira global. Bush, coitado, quem era mesmo?
Como as classes baixas brasileiras vivem à cata de sonhos para driblar a falta de perspectivas, a FOLHA partiu para alguns cantinhos de Londrina para saber se o renovado american dream também fez as cabeças por aqui. E confirmou: Obama está bombando na periferia. José Wanderlei Moura tem 50 anos, é comerciante no Jardim União da Vitória (Zona Sul) e disse estar otimista. A eleição dele muda tudo para a gente também porque todos os segmentos do mundo dependem dos Estados Unidos, que é o grande shopping do mundo. Acho que ele vai distribuir melhor a riqueza e isso vai acontecer no mundo todo porque as cartas tem que ser seguidas por todos.
Também no União, José Antônio de Arruda, 44 anos, trabalha pesado para sustentar a família como revendedor de sucata e material reciclado. A jornada dura consome o tempo que teria para se informar mas, nem por isso, está alheio. O que eu sei é o que as pessoas falam na rua. O povo fala que agora vai mudar para melhor. Mas acho que tem que mudar muita coisa, porque com a reciclagem mesmo, está muito ruim, falou o trabalhador.
Foi escutando a TV que o vendedor de melancias do Jardim Interlagos (Zona Leste), Paulo Neves, 49, ficou sabendo que um de cor tinha ganhado a eleição nos Estados Unidos. E o homem cuja imagem pode ser comparada à daquela última bolacha do pacote ainda não o convenceu. Meu pai era de cor e posso falar que tenho sangue negro mas acho que cor não muda nada não. Tenho pouca leitura mas tenho para mim que os americanos são respeitados pelo mundo inteiro e têm potência para acabar com o mundo inteiro se quiserem. E ajudar também
Negro e com uma simpatia maior que ele, o soldador João Odair Ramos, 50, morador do Jardim Mentão (Zona Leste), lembrou que cor da pele não deve entrar na conversa. Se é negro ou não não importa porque ele vai ter que ser bom e trabalhar para todo mundo, advertiu com sabedoria. E a atendente de lanchonete do União da Vitória, Marli Coelho, foi além e alertou: a coisa lá está feia e o que ele vai ter que enfrentar não vai ser fácil.


