São Paulo - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem, durante discurso na Universidade de Notre Dame, a mais importante universidade católica americana, que toda a polêmica envolvendo o aborto pode ser amenizada quando ambos os lados prestam atenção nos pontos que têm em comum, e não nas divergências insolúveis.
''Talvez nós não concordemos sobre o aborto, mas nós ainda podemos concordar que é uma decisão de apertar o coração da mulher tanto na dimensão moral quanto na espiritual. Então, trabalhemos juntos para reduzir o número de mulheres que procuram o aborto reduzindo as gestações indesejadas; tornando a adoção mais acessível; e dando cuidado e apoio àquelas que decidem ter seus filhos'', disse.
''Os que são contrários às pesquisas com células-tronco podem estar baseados na admirável convicção de que a vida humana é sagrada. Mas assim também se sentem os pais da criança com diabete juvenil que estão convencidos de que o sofrimento dela pode ser aliviado.''
Obama discursou em uma cerimônia de formatura e recebeu uma homenagem de honra ao mérito de Notre Dame, o que causou grande polêmica na comunidade católica americana já que as posições do presidente, principalmente a defesa do aborto e das pesquisas com células-tronco, contradizem a Igreja Católica Romana.
Poucos minutos depois de iniciar seu discurso, Obama foi interrompido por protestos contra a sua presença no evento.
O aborto divide os americanos há décadas, principalmente depois que, em 1973, a Suprema Corte julgou o caso Roe vs. Wade, no qual decidiu que nenhum Estado pode banir a prática. Anteontem, uma pesquisa revelou que, pela primeira vem em 15 anos, a maioria dos americanos - 53% - rejeita o aborto.
Nas últimas semanas, mais de 360 mil pessoas assinaram um documento pedindo que o evento fosse cancelado.

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