Obama e Raúl Castro fazem encontro histórico
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domingo, 12 de abril de 2015
France Presse 
Panamá - As Américas iniciaram um ponto de inflexão no fim de semana. Pela primeira vez em mais de 50 anos, os presidentes dos Estados Unidos e de Cuba - inimigos durante mais de meio século - conversaram de maneira franca.
Em uma situação que seria considerada impossível há poucos anos, o presidente americano Barack Obama e seu colega cubano Raúl Castro conversaram durante mais de uma hora na VII Cúpula das Américas, que aconteceu na sexta-feira e sábado no Panamá.
O diálogo histórico "marca um antes e um depois não apenas entre Estados Unidos e Cuba, mas permite prever uma cooperação maior entre os países do continente", celebrou Obama após a reunião.
Obama também dialogou, por poucos minutos, com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, um de seus principais adversários na região. "Esta é a cúpula da reconciliação", afirmou Carlos Malamud, analista do Real Instituto Elcano, com sede em Madri.
O encontro entre Washington e Havana sela o processo de aproximação que os dois governos anunciaram em 17 de dezembro e vira a página de um dos episódios mais conturbados da Guerra Fria. 56 anos depois da vitória da revolução liderada por Fidel Castro, seu irmão Raúl, de 83 anos, se reconciliou com os Estados Unidos. "Tem sido uma história complicada a dos nossos países. Mas estamos dispostos a avançar e a discutir tudo", afirmou Raúl Castro.
Esta foi uma grande estreia para ilha comunista no fórum, do qual sempre esteve excluída desde sua criação, há 21 anos, por iniciativa de Washington. "A Cúpula representa um respaldo para as negociações bilaterais dos Estados Unidos e de Cuba e, sobretudo, torna cada vez mais difícil um recuo, por parte dos dois lados", opinou Malamud.
Cuba exige dos Estados Unidos a retirada completa do embargo comercial que, desde 1962, asfixia sua economia, e a devolução de Guantánamo, onde Washington tem uma base naval. O governo dos Estados Unidos, por sua vez, deseja avanços verdadeiros na questão dos direitos humanos na ilha comunista.
Mas nem todos celebram a situação. "Este presidente mostrou que está disposto a fazer o que nenhum de seus antecessores de ambos os partidos jamais fizeram", criticou o senador Ted Cruz, cubano-americano e pré-candidato republicano à presidência em 2016. "Apenas a participação de Cuba nesta reunião é um ato flagrante", reclamou o dissidente cubano Jorge Luis García Antúnez.


