São Paulo - O presidente americano Barack Obama disse que a Rússia deve "retirar" as tropas da fronteira com a Ucrânia e começar a negociar com a comunidade internacional, em uma entrevista exibida ontem pelo canal CBS News.
Obama disse que a decisão do presidente russo Vladimir Putin de deslocar forças militares na fronteira pode ser "simplesmente um esforço para intimidar a Ucrânia, ou pode ser que eles tenham planos adicionais".
A Rússia estaria aumentando a concentração de suas tropas em suas fronteiras com a Ucrânia, segundo informações do portal ucraniano "Resistência Informativa". A concentração inclui plataformas de lançamento móveis de mísseis não dirigidos, veículos militares e blindados.
O portal denunciou ainda o avanço de uma coluna formada por 150 blindados e 400 veículos militares na região de Rostov do Don, além de outros 40 veículos na região russa de Belgorod.
Na quinta-feira, segundo o site ucraniano, 20 plataformas de lançamento de mísseis móveis, quatro blindados e dez veículos militares chegaram de trem a Rostov do Don.
As autoridades russas, no entanto, negaram a concentração de suas tropas nas zonas fronteiriças com a Ucrânia e manifestou que várias inspeções estrangeiras confirmaram sua versão.

Rússia
Putin ordenou ontem a devolução do armamento, incluindo embarcações e aviões, das unidades militares que guardaram lealdade à Ucrânia até o último momento na Crimeia. Já o ministro russo da Defesa, Sergei Shoigu, anunciou que "a retirada (desde a Crimeia) das unidades do exército ucraniano que manifestaram sua vontade de seguir a serviço das Forças Armadas da Ucrânia foi concluída".

Itamaraty
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, justificou a postura brasileira em se abster na votação ocorrida na quinta-feira na Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o referendo que anexou a região da Crimeia à Rússia.
Segundo ele, o processo deve ocorrer na base do diálogo e não em uma "lógica de sanções contra sanções", que ele comparou à ocorrida durante o período da Guerra Fria. Figueiredo ressaltou que "a Ucrânia é um país amigo" e que o clima de polarização "não leva a lugar a nenhum".

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