Obama diz que limitará espionagem
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sábado, 18 de janeiro de 2014
Raul Juste Lores<br>Folhapress 
Washington - O presidente americano Barack Obama anunciou ontem que não haverá mais espionagem de chefes de Estado e de governo "de nossos amigos e aliados, ao menos que haja uma forte razão de segurança nacional". "Se eu quero saber o que nossos amigos e aliados pensam, vou pegar o telefone e ligar para eles, em vez de recorrer à espionagem", disse, durante um longo discurso sobre a prometida reforma da Agência Nacional de Segurança (NSA, da sigla em inglês).
Obama disse que instruiu sua equipe de inteligência a aprofundar a cooperação com aliados para "reconstruir a confiança". O presidente não citou quais países são considerados "amigos e aliados". Disse, porém, que continuará a coletar inteligência ao redor do mundo, "do mesmo jeito que outros países fazem". "Não vamos pedir desculpas porque nossos serviços são mais efetivos", declarou.
Ele também determinou ao Departamento de Estado designar um coordenador para diplomacia internacional, que servirá como ouvidor e negociador das reclamações e questões de governos estrangeiros, uma área onde se considera que o governo americano demorou a dar respostas. A Casa Branca terá um conselheiro especial para cuidar de preocupações de privacidade.
As maiores reformas anunciadas, a serem implementadas entre os próximos quatro meses e um ano, se referem à redução da coleta de dados sobre telefonemas nos EUA e no exterior, que ainda serão armazenados pela NSA, mas em menor escala - e o acesso a eles dependerá de ações judiciais e o cargo de defensor público de privacidade será criado.
No discurso, em que Obama tentou equilibrar preocupações do Congresso, das agências de inteligência, líderes estrangeiros, empresas de tecnologia e organizações que defendem direitos humanos, Obama disse que "corporações estão seguindo vocês também, é assim que surgem as propagandas na tela de seu aparelho celular". Em mensagem dirigida à comunidade internacional, ele falou que "não coletamos inteligência para dar uma vantagem competitiva a empresas ou setores comerciais americanos" e que queria dar "um passo inédito ao estender certas proteções a cidadãos estrangeiros no respeito à privacidade".


