Obama defende acordo, mas sofre oposição nos EUA
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terça-feira, 26 de novembro de 2013
Raul Juste Lores e Samy Adghirni<br>Folhapress 
Washington - Congressistas da oposição republicana, líderes de organizações pró-Israel e até democratas próximos do presidente Barack Obama ocuparam boa parte dos programas dominicais da TV norte-americana dizendo que o Irã "saiu ganhando" com o acordo e que "nossos aliados, como Israel, se sentem traídos". Lideranças democratas não deram as caras na TV para defender o acordo, tarefa quase solitária do secretário de Estado, John Kerry.
Obama fez um pronunciamento no sábado dizendo que "a diplomacia abriu um novo caminho" em direção a um "futuro no qual poderemos verificar que o programa nuclear do Irã é pacífico e que não pode construir armas".
A reação negativa não demorou. "Nossos aliados se sentem traídos", disse o senador republicano Marco Rubio, da Flórida. "Você acabou dando permissão [aos iranianos] para continuar o enriquecimento de urânio", disse o republicano Mike Rogers, chefe da Comissão de Inteligência da Câmara.
O líder democrata no Senado, Harry Reid, disse que está preparando um projeto para ser votado no mês que vem com novas e mais duras sanções contra o Irã.
O secretário de Estado deu entrevistas às redes ABC, CBS e CNN repetindo que "a partir de agora e pelos próximos seis meses Israel está mais seguro".
Desbloqueio
O Irã anunciou ontem que os EUA, em virtude do acordo nuclear preliminar firmado no fim de semana, já desbloquearam US$ 8 bilhões em fundos iranianos que estavam retidos em bancos americanos.
O informação foi revelada por duas fontes citadas pela imprensa iraniana, o porta-voz do governo, Mohammad Bagher Nobakht, e o ex-presidente da Câmara de Comércio do Irã Alinaqi Khamoushi.
O valor anunciado destoa da expectativa de funcionários do governo americano no domingo, que estimavam um pacote de US$ 6 bilhões ou US$ 7 bilhões, incluindo fundos desbloqueados e outros incentivos.
Especula-se que a quantia liberada seja parte dos fundos iranianos retidos nos EUA em 1979, na primeira leva de sanções americanas ao Irã, que levou à ruptura bilateral.
Punições foram aplicadas em represália à invasão e sequestro da Embaixada dos EUA em Teerã, na qual 52 americanos ficaram reféns por mais de um ano. Invasores da representação alegaram que queriam retaliar o asilo dado por Washington ao xá deposto, Mohammad Reza Pahlavi.
Avaliações dos bens iranianos desde então retidos nos EUA variam entre US$ 60 bilhões e US$ 100 bilhões.
O pacto entre Irã e representantes das seis potências negociadoras (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha) serve como teste de intenções antes de um acordo definitivo, possivelmente dentro de um ano.


