Havana - O presidente americano, Barack Obama, chegou ontem a Cuba, onde marcará a história com uma visita de três dias a um dos últimos bastiões do socialismo, que deseja virar a página depois de mais de cinco décadas de forte antagonismo. Acompanhado pela esposa Michelle e suas duas filhas, Obama foi recebido pelo chanceler Bruno Rodríguez no aeroporto José Martí de Havana.
Obama é o primeiro presidente dos Estados Unidos a pisar na ilha em 88 anos. Com essa visita, ele pretende selar o restabelecimento das relações bilaterais. Antes de deixar a presidência, no início de 2017, Obama quer assegurar-se de que seus avanços em Cuba não serão revertidos, seja quem for a assumir a Casa Branca no próximo ano.
Hoje, Obama se encontrará com Raúl Castro para abordar, entre outros temas, o de direitos humanos. No dia seguinte, conversará com os dissidentes, gesto que até pouco tempo parecia impensável de ocorrer na capital cubana. Nesse mesmo dia, discursará ao povo cubano, com transmissão ao vivo pela rede de televisão.
No entanto, a atenção do chefe de Estado americano à dissidência cubana pode ser comprometida pela detenção, pouco antes de sua chegada, de dezenas de opositores do grupo Damas de Branco.
Como costumam fazer todos os domingos, manifestantes se concentraram perto de uma igreja para protestar por direitos humanos. Danilo Maldonado e Berta Soler, líder das Damas de Branco, estão entre os manifestantes que foram encurralados e arrastados em direção a veículos por agentes de segurança. "Obama está sendo cúmplice de uma ditadura", disse Maldonado à AFP uma hora antes de ser detido.
No final da tarde, sob chuva e medidas extremas de segurança, Obama fez uma visita a Havana Velha, o charmoso bairro colonial da capital.

ABERTURA

Embora não possa anular o embargo econômico contra Cuba, vigente desde 1962, por se tratar de uma atribuição do Congresso com maioria da oposição republicana, Obama sinalizou positivamente nesse sentido. A suspensão do embargo, pedida todo ano pelas Nações Unidas, é também a principal demanda de Cuba, que atribui à medida boa parte de seus dramas econômicos. Segundo Obama, décadas com essa mesma política em relação à ilha demonstraram pouca eficácia.

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