Imagem ilustrativa da imagem Obama cancela reunião com presidente das Filipinas
| Foto: Saul Loeb/AFP
Antes de participar da primeira reunião internacional, o presidente filipino já havia ameaçado sair da ONU e romper relações com os EUA e a Austrália



Vientiane (Laos) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cancelou um encontro previsto para ontem em Laos com o presidente filipino Rodrigo Duterte, que na segunda-feira o chamou de "filho da puta".
Os dois governantes se reuniriam durante o encontro de cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que acontece em Vientiane.
Duterte "lamenta que suas declarações tenham causado tal polêmica", anunciou o governo filipino em um comunicado publicado pouco antes do início da reunião da Asean.
"Apesar da causa imediata (da polêmica) ser os fortes comentários em certas perguntas da imprensa (...) também lamentamos que tenha sido interpretado como um ataque pessoal contra o presidente dos Estados Unidos", assinalou um comunicado da presidência.
"O presidente Duterte explicou que os comentários da imprensa segundo os quais o presidente iria falar sobre as execuções extrajudiciais o levaram a fazer o comentário virulento", completa o texto.
Na segunda-feira, Duterte falou sobre o que diria a Obama caso fosse questionado sobre os direitos humanos e, em particular, sobre seus métodos na luta contra o narcotráfico.
"Deve ser respeitoso. E não só lançar perguntas e declarações. Filho da puta, vou xingá-lo nesta cúpula", disse Duterte em uma coletiva de imprensa.

EXECUÇÕES
O presidente filipino é muito criticado por ter estimulado os filipinos a matar os viciados em drogas e os traficantes. As execuções extrajudiciais provocaram oficialmente 2 mil mortes desde que Duterte chegou ao poder em junho.
Esta é a primeira reunião internacional com a presença de Duterte, que foi eleito após uma campanha dominada por um discurso populista. O presidente filipino, que multiplica os atos ofensivos, já havia ameaçado sair da ONU e romper relações com os Estados Unidos e a Austrália.
Durante a campanha eleitoral, ele chamou o embaixador americano em Manila de "filho de puta" e fez comentários homofóbicos.
O conflito entre Estados Unidos e Filipinas acontece em um momento importante para a região, com o governo chinês tentando assumir o controle sobre o mar da China Meridional, também reivindicado pelo governo filipino, assim como por Vietnã, Malásia, Brunei e Taiwan.
O sudeste asiático ocupa um espaço importante na política externa e comercial dos Estados Unidos.
Entre os principais temas do programa da reunião, Obama deve defender o Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP na sigla em inglês).
Vários países da Asean (formada por Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã) assinaram o TPP.
A reunião de Vientiane também deve registrar o primeiro encontro de Obama com a birmanesa Aung San Suu Kyi desde que ela venceu as eleições legislativas em seu país em novembro de 2015. Na capital do Laos, Obama visitará hoje um centro de ajuda às vítimas das bombas.
Obama é o primeiro presidente americano a visitar o Laos, país descrito como uma sucursal da China, que desenvolve vários projetos econômicos, de cassinos até minas.

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