Obama anuncia retirada de tropas do Iraque
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Folhapress 
São Paulo- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem a retirada parcial das tropas americanas do Iraque até 31 de agosto de 2010, o primeiro passo efetivo de seu governo para encerrar o conflito que, em mais de cinco anos, custou cerca de US$ 1 trilhão e deixou mais de 4.250 soldados americanos mortos. Embora não tenha falado em números exatos, o plano de Obama representaria a retirada de entre 92 mil e 107 mil dos 142 mil soldados que atuam no país.
O plano anunciado por Obama inclui ainda a manutenção de uma força de segurança de 35 mil a 50 mil homens no país, com a retirada completa até o final de 2011, seguindo os prazos do acordo de segurança assinado pelo antecessor George W. Bush com os iraquianos, no final do ano passado.
Estas tropas, segundo Obama, serão responsáveis por treinar e equipar as forças de segurança iraquianas, além de servirem em missões de combate ao terrorismo e garantir a segurança dos diplomatas americanos que permanecem em solo iraquiano.
O presidente foi cauteloso ao reiterar, inúmeras vezes, que a retirada dos soldados não significava o fim da violência no Iraque. Hoje falaremos do fim da Guerra do Iraque. Mas, sejamos francos, ainda não é seguro e a violência ainda fará parte do futuro do Iraque, ressaltou o democrata, um dos grandes críticos do confronto.
Obama afirmou ainda que os EUA não deixarão a busca pelo perfeito servir de desculpa para a manutenção do conflito. Não podemos agradar todos os iraquianos, nem podemos ficar até que a união iraquiana seja perfeita. As mulheres e homens americanos de uniforme lutaram Província por Província para dar aos iraquianos uma oportunidade. Esperamos que eles a aproveitem, afirmou.
O presidente não ignorou os críticos ao lembrar que, entre suas ambiciosas promessas de campanha, estava retirar todas as tropas americanas do país em 16 meses, o que significaria encerrar o conflito até maio de 2009. O democrata prometeu ainda iniciar a retirada logo no primeiro dia de seu governo e seguir um ritmo de ao menos uma brigada por mês.
Criticado pelas consequências da retirada antecipada dos soldados -que geraria caos e genocídios, nas palavras de McCain- Obama adotou um discurso mais moderado e afirmou que a retirada seria feita com responsabilidade.
Como candidato a presidente, falei em uma retirada de 16 meses, sempre mantendo contato com os conselheiros em segurança para realizar uma retirada responsável. Assim, escolhi o cronograma e a retirada será realizada em 18 meses, explicou Obama, que reiterou diversas vezes em seu discurso a importância de manter a situação estável no Iraque após a saída dos soldados americanos.


