Obama anuncia manutenção de tribunais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Folhapress 
São Paulo- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem a manutenção dos tribunais militares de exceção criados durante o governo de George W. Bush para julgar alguns suspeitos de terrorismo presos na prisão militar de Guantánamo, em Cuba.
O anúncio foi visto como um passo atrás no governo do democrata que, em pouco mais de cem dias, tomou diversos passos para encerrar o legado negativo de Bush em direitos humanos e na guerra ao terror. Em seus primeiros dias na Casa Branca, Obama prometeu fechar a prisão de Guantánamo no período de um ano e proibiu o uso de táticas como afogamento simulado, defendidas por bush e criticadas como tortura pelas organizações de direitos humanos.
Em comunicado, o presidente anunciou à tarde mudanças nas regras de funcionamento dos tribunais para reforçar os direitos dos suspeitos -incluindo vetar a apresentação de confissões obtidas após maus-tratos, limitação no uso de declarações ouvidas de terceiros e mais liberdade aos detidos para escolher seus próprios advogados.
Os julgamentos deverão ainda ser realizados em território americano em vez de Guantánamo, provavelmente em alguma base militar. Isso impede o buraco negro legal criado por Guantánamo que, como não fica em território americano, permite que os EUA não sigam sua própria Constituição nos julgamentos.
A administração pediu ainda por um adiamento de 90 dias no procedimento de cortes de Guantánamo para permitir que as novas regras sejam efetivadas. As mudanças estipuladas por Obama devem ser submetidas ao Congresso 60 dias antes de ganharem força de lei.
Estas reformas contribuirão para restabelecer os tribunais militares em seu papel de servir à justiça de forma legítima, e os colocará ao mesmo tempo sob a autoridade da lei, declarou. [As reformas] constituem a melhor maneira de proteger nosso país respeitando os valores que defen-demos.


