O último reduto dos hachemitas
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de fevereiro de 1999
France Presse 
O rei Hussein, declarado ontem pela manhã clinicamente morto, ocupou durante quase meio século o último trono em poder dos hachemitas, uma dinastia árabe que aproveitou a decadência do império otomano para constituir vários reinos.
Além de reinar na Transjordânia, a partir de 1921, os hachemitas também o fizeram no Iraque, Hedjaz - província ocidental da atual Arábia Saudita - e brevemente na Síria.
Originários de Hedjaz, onde, em 1201, se converteram em guardiães do lugares santos de Meca e Medina, os hachemitas descendem de Hachem, considerado antepassado do profeta Maomé.
Submetidos a partir de 1517 ao jugo otomano, os hachemitas tiveram o apoio dos britânicos, inimigos dos turcos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), para empreender, em 1916, uma grande revolta árabe.
O xerife Hussein proclamou a independência de Hedjaz em novembro de 1916. Bisavô do rei Hussein, o xerife queria converter-se em rei da Arábia, mas seus sonhos chocaram-se com as ambições de um representante da dinastia dos wahabitas, Abdel Aziz Al Saud.
Este último derrubou o xerife Hussein em Hedjaz, em 1925, e mostrou-se disposto a governar na Arábia Saudita as províncias sob seu controle.
No entanto, o poder hachemita foi exercito de forma mais duradoura em outros dois reinados, o Iraque a a Transjordânia, que a Grã-Bretanha confiscou de Faysal e Abdalá, os dois filhos do xerife Hussein.
Londres e Paris acabavam, nesse momento, de repartir o império otomano.
O emirado da Transjordânia foi criado em 1921 para satisfazer Abdullah, privado da coroa do Iraque, que os britânicos tiveram de oferecer a Faysal como compensação. Este último foi obrigado a abandonar a Síria, depois de quatro meses de reinado, quando o exército francês tomou posse de seu novo mandato.
Faysal morreu um ano depois da independência do Iraque, em 1932, mas os hachemitas se mantiveram no poder, em Bagdá, até 1958, data do golpe de Estado militar e a instauração da República.
Em Amã, Abdullah foi proclamado soberano de um Estado independente em 1946. A apelação de reino hachemita da Jordânia adquiriu todo o seu significado com a anexação, em 1950, da Cisjordânia palestina.
Depois do assassinato de Abdullah por um palestino, em 1951, em Jerusalém, seu filho Talal herdou o trono, mas foi rapidamente obrigado a abdicar por esquizofrenia. Foi assim que seu filho, hoje o rei Hussein, se transformou no terceiro soberano hachemita.


