Jerusalém - O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, 77 anos, estava ontem entre a vida e a morte após uma cirurgia de sete horas a que foi submetido para fazer estancar uma hemorragia cerebral – o que mergulhou o país no vácuo político a três meses das eleições gerais.
  Sharon, que domina o cenário politico em Israel há cinco anos, foi colocado em ‘‘coma profundo induzido com respiração artificial por pelo menos 48 horas para manter uma pressão sangüínea fraca no crânio’’, explicou Shlomo Mor Yossef, o diretor do hospital Hadassah de Jerusalém.
  Sharon está sob efeito de sedativos e respira com a ajuda de aparelhos. Seu estado é grave, mas estável. O vice-premiê Ehud Olmert assumiu interinamente a chefia do governo.
  Quarta à noite, Sharon foi submetido a sete horas de cirurgia para interromper um sangramento causado por um AVC (termo técnico para designar um derrame).
  Segundo médicos do Hadassah, o sangramento foi detido, mas informações não-confirmadas relatam que o acidente teria deixado seqüelas no premiê, como a perda dos movimentos da parte inferior de seu corpo.
  O diretor do hospital de Hadassah, Shlomo Mor Yosef, afirmou que a indução ao coma profundo faz parte do tratamento que está sendo aplicado a Sharon na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde ele se recupera. Yosef disse que os médicos vão ‘‘fazer o possível’’ para manter a pressão sangüínea no cérebro de Sharon a níveis baixos.
  Ao final da cirurgia, na manhã de ontem, Yosef afirmara que os sinais vitais de Sharon eram estáveis, mas sua condição de saúde continuava crítica.
  Já final da tarde, os médicos do premiê manifestaram a esperança de que ‘‘a estabilização de seu estado de saúde possa ser o início de uma melhora’’ depois do grave derrame sofrido na noite de quarta-feira.
  Estimaram que é preciso esperar entre 48 e 72 horas para permitir que o cérebro de Sharon se recupere depois da grave hemorragia cerebral sofrida na noite de quarta-feira.
  Antecedente Essa é a segunda vez que Sharon sofre um AVC em menos de um mês. Em 18 de dezembro último, o primeiro-ministro foi internado às pressas no hospital de Hadassah depois que uma lesão em seu coração provocou um derrame de menor intensidade.
  De acordo com o ‘‘Haaretz’’, um coágulo se formou em uma perfuração de poucos milímetros no coração que depois chegou ao cérebro e tapou brevemente uma das veias, até desintegrar-se de forma natural.
  Médicos já tinham alertado anteriormente que um dos principais problemas enfrentados por Sharon é o excesso de peso (atualmente ele pesa 118 kg).
  Consciência De acordo com o ‘‘Haaretz’’, Sharon começou a se sentir mal (teve dores no peito e dificuldade para falar) quando estava em sua fazenda na cidade de Negev, ao sul de Israel. O primeiro-ministro, então, foi levado até o hospital, em companhia de seus dois filhos, Gilad e Omri.
  Sharon foi conduzido imediatamente à UTI, ainda consciente. De acordo com redes de TV israelenses, o próprio premiê teria pedido para ser hospitalizado, e aparentava tranqüilidade quando chegou ao centro médico.
  Caso não tivesse sofrido o AVC, Sharon seria internado ontem para se submeter a um cateterismo (inserção de um cateter nas veias cardíacas, para investigar a existência de coágulos ou outros problemas), em virtude de seu primeiro AVC.   O plano dos médicos era de que ele ficasse internado por 24 horas e retomasse as atividades normais a partir deste fim de semana.

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