Londres - As autoridades britânicas iniciaram ontem uma operação ''implacável'' para capturar os autores dos sangrentos atentados da véspera em Londres, que levam a marca da Al-Qaeda e que deixaram um saldo de mais de 50 mortos e 700 feridos, de acordo com o chefe da Scotland Yard, Ian Blair.
O chefe da polícia metropolitana britânica considerou provável que ainda exista uma célula terrorista ativa na Grã-Bretanha. Além disso, rejeitou as críticas aos serviços de inteligência, assim como a versão de que havia um suicida em um dos quatro ataques registrados em três composições do metrô e um ônibus.
''Estou de acordo com o ministro das Relações Exteriores, Jack Straw: isto apresenta todas as características da Al-Qaeda'', disse Ian Blair, para quem a investigação será ''muito longa e complexa''. ''É uma evidência absoluta'', respondeu o chefe da Scotland Yard a uma pergunta sobre a existência de uma célula terrorista na Grã-Bretanha, garantindo, porém, que no momento ''absolutamente nada faz pensar em um atentado suicida'', como especulou a imprensa britânica ontem em relação ao ataque contra o ônibus.
Além dos mais de 50 mortos, os atentados deixaram 700 pessoas feridas, das quais 350 continuam hospitalizadas, entre elas 22 em estado crítico, segundo Sir Blair, número que pode aumentar. Ontem, várias famílias continuavam em busca de seus parentes desaparecidos, enquanto coroas de flores eram depositadas em Tavistock Place, onde um ônibus de dois andares foi destruído por uma bomba. Ao todo, 13 pessoas morreram nesse ônibus, completou Ian Blair.
Em meio à dor, a capital britânica começava a se reerguer e milhões de londrinos seguiram como puderam a seus trabalhos. Os transportes públicos, paralisados na véspera, se normalizavam lentamente.
Os ônibus voltaram a funcionar na quinta-feira à noite e cinco linhas de metrô estavam em funcionamento regular na manhã de ontem. Por outro lado, duas ainda registravam atrasos, duas estavam parcialmente suspensas e duas permaneciam fechadas. Policiais verificavam a identidade dos pedestres em uma das ''cenas do crime'', a estação do metrô de Edgware Road, onde morreram pelo menos cinco pessoas, lembradas com ramos de flores depositados no local.
''Os terroristas não mudarão nosso modo de vida'', declarou a rainha Elizabeth II, ao visitar os feridos hospitalizados no Royal London Hospital. Seu filho príncipe Charles, herdeiro da Coroa, também visitou vários hospitais acompanhado da mulher, Camilla. Já o prefeito de Londres, Ken Livingstone, declarou: ''Sabíamos que esse dia ia chegar e tudo que tínhamos planejado funcionou como estava previsto''. Com a cidade tentando recuperar seu ritmo de vida normal, as autoridades iniciaram uma verdadeira caça para encontrar os responsáveis pelos ataques.

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