O TERROR ATACA DE NOVO - Onda de adolescentes terroristas abala a Europa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de julho de 2005
Michel Moutot<br> France Presse 
Paris - Uma nova geração de ativistas islâmicos muito jovens, motivados por sentimentos de ira e humilhação, surge na Europa e constitui um quebra-cabeça para as forças de ordem. Estes jovens, muitos deles nascidos no Ocidente e que nem sempre sofrem com problemas de integração, se radicalizam, com frequência pelas costas de suas famílias, através de encontros reais ou pela Internet, até que um dia passam à ação.
Do alto dos seus 18 anos, Hasib Hussain, um dos suicidas de Londres, que provocou a explosão do ônibus de dois andares, foi descrito pelos amigos e familiares como um ''jovem normal e carinhoso que não trazia qualquer problema''. ''Desconhecíamos suas atividades... teríamos feito tudo que estava a nosso alcance para detê-lo se soubéssemos'', escreveu em nota sua família.
Na Holanda, Yehya Kaduri, da mesma idade, passava suas noites metido em fóruns da Internet. ''Ficava ligado ao computador... metido na Internet. Não sei o que fazia exatamente'', explicou o pai. Seu filho ameaçava de morte os inimigos do Islã (...). ''Deus nos deu o direito de matar este tipo de gente'', dizia o rapaz que, traído por suas mensagens, foi detido em setembro. Debaixo de sua cama infantil foram encontrados explosivos.
No dia 13 de julho, também em um quarto de adolescente, a polícia de Amsterdã encontrou uma bomba de fabricação caseira (um tubo de papelão carregado de pólvora e bolas de aço). O jovem foi preso e a família fichada.
Em toda a Europa, o desmantelamento de redes de voluntários para a Jihad (guerra santa) antiamericana no Iraque facilitou a prisão de dezenas de jovens, alguns apenas chegados à maioridade.
Marc Sageman, psiquiatra, ex-agente da Agência Central de Inteligência americana (CIA) no Paquistão e autor do primeiro estudo psicológico e sociológico dos autores da Jihad (O verdadeiro rosto dos terroristas), destaca que existe um aspecto de geração. ''Já era o caso do Egito com os grupos islamitas radicais nos anos 70: os irmãos e as irmãs sabiam que pertenciam a estes movimentos, mas os pais sempre se surpreendiam quando eles não voltavam mais para casa'', continuou.
''Os pais que não vigiam as páginas da web visitadas, ou fóruns de discussão, não sabem nada do que acontece na cabeça de seus filhos de 15, 16 e 17 anos'', acrescentou. ''Estes jovens não mudam de expressão.... nada os trai. É uma vida totalmente virtual. Até que um dia...''.
Para o estudioso francês Xavier Raufer, co-autor do livro ''O enigma Al-Qaeda'', ''existe uma dimensão essencial que é preciso levar em conta: 'A idade deles é a época em que fazemos todas as loucuras do mundo'''.
''Biologicamente, o jovem (rapaz) tem enormes taxas de adrenalina e é capaz de qualquer coisa. Eles podem fazer algo do tipo: 'Olhem, ando de bicicleta sem mãos'. No entanto, isso pode se converter em: 'Ponho uma bomba e nos vemos no paraíso!'.
''Isto também acontece em situações muito especiais'', continuou Xavier Raufer. ''São jovens muçulmanos, com dificuldades de integração ou não, que passam os dias assistindo (a rede de notícias) a Al-Arabiya e que só têm a vontade de realizar um ato: pegar na metralhadora. Por isso, é emergencial acalmar o jogo, tanto no Iraque como em outros lugares. A desesperança gera entusiasmo para se realizar ações extremas'', ressaltou.


