Paris - Mais do que ataques isolados, como o que teve por alvo uma delegacia de Paris ontem, o que serviços antiterroristas da Europa temem em 2016 são atentados extremistas múltiplos e coordenados em vários países do continente.
A Procuradoria de Paris informou que o homem morto ontem ao tentar atacar uma delegacia da cidade levava consigo um papel dizendo que o ataque seria feito em nome da milícia radical Estado Islâmico. O agressor chegou a ferir um agente na porta da delegacia antes de ser morto.
A ação aconteceu no mesmo dia em que se completou um ano do atentado à redação do jornal satírico "Charlie Hebdo", em que 12 pessoas morreram. Em nota, os promotores afirmam que o papel foi descoberto pela polícia ao lado do corpo do homem, junto com um telefone celular. A folha trazia a bandeira do Estado Islâmico e um texto manuscrito em árabe com a reivindicação pelo ataque. Durante o ataque, ele gritou "Allahu Akbar", frase comumente dita por radicais islâmicos antes de executarem seus atentados.
Como resposta ao terrorismo, Hollande anunciou a abertura de um concurso com 5 mil vagas para a polícia e a adoção de novas leis para prevenir novos ataques contra as cidades francesas.

TRAUMA
O episódio do 13 de novembro em Paris (130 mortos) demonstrou que várias equipes de homens-bomba decididos, equipados com kalachnikovs (arma russa) e explosivos artesanais, podem causar danos terríveis e traumatizar um país antes de serem neutralizados. Multiplicados em escala continental, o efeito seria ainda mais devastador.
"Acho que, lamentavelmente, em 2015 ainda não vimos o pior", afirma à AFP, pedindo anonimato, um oficial da luta antiterrorista. "Chegaremos a um tipo de 11 de setembro europeu: ataques simultâneos em vários países, vários lugares. Algo muito bem coordenado. Sabemos que os terroristas trabalham para isso", afirma.
"Assistimos atualmente nas regiões controladas pelo Daesh (acrônimo árabe do grupo Estado Islâmico) ao recrutamento de grupos, de jovens europeus, e a seu treinamento, com o objetivo de enviá-los para atacar seus países de origem", acrescenta.
"Eles têm os documentos falsos necessários, o domínio da língua, dos lugares, armas. Detivemos muitos, mas é preciso reconhecer que estamos acuados pelo número. Alguns passarão, alguns já passaram", disse.
Os extremistas recém-detidos de volta das "terras da jihad" fazem aumentar a preocupação. "Os perfis mudam. Vemos que regressam ultrarradicais, bem treinados. Alguns são impulsionados pelos bombardeios russos que, ante a menor suspeita de presença extremista em um povo, atacam todo o setor. Mas outros voltam para realizar missões na Europa", afirma o oficial. "Antes, voltavam principalmente pessoas que haviam se equivocado, que não haviam se dado conta do que é a guerra". Agora são outros, com outros objetivos".

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