Curitiba - O conflito que está resultando em milhares de vítimas fatais e refugiados na Síria há mais de um ano estaria sendo financiada com dinheiro, armas e munições de grandes potências mundiais. Este é o ponto de vista do embaixador da Síria no Brasil, Mohammad Khaddour. Ele está há oito meses no Brasil e ontem falou sobre o assunto na sede do Consulado Honorário em Curitiba.
A autoridade síria negou a participação da população nas manifestações contra o governo atual e destacou que rebeldes estão provocando ofensivas a comando de países do Ocidente, ''que têm interesse direto no território sírio, que possui uma importância estratégica''.
O embaixador também questionou os números divulgados pela ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos e pela Organização das Nações Unidas (ONU), dando conta de que a crise na Síria já causou mais de 20 mil mortes e 50 mil refugiados. Ele afirmou que ocorreram aproximadamente 12 mil mortes. ''Temos os nomes, idades e localização de todas as vítimas fatais dos ataques. Existem interesses políticos e econômicos e agências de notícias internacionais estão reproduzindo isto como uma verdade inconstestável'', disse Khaddour.
Questionado sobre a possibilidade de renúncia do presidente Bashar Al Assad, o embaixador destacou que não existe a mínima chance porque não se trata de um conflito interno, e sim de uma guerra contra o país. O presidente é acusado pelos oposicionistas de cometer violações aos direitos humanos e desrespeito à democracia e à liberdade de expressão. ''O presidente conta com o apoio do povo, do Exército e do comando da Síria. Portanto, não há um pensamento neste sentido. As manifestações são orquestradas por estrangeiros e não pelos sírios. Se o povo não estivesse com Bashar ele já teria caído'', garantiu.
Khaddour ainda fez questão de destacar que o conflito em andamento na Síria é diferente dos registrados em outros países do Oriente Médio, como Egito e Líbia. ''Sabemos do envio de mercenários para a Síria, muitos já estão presos no país e devem ser deportados. Com estas medidas o governo quer acabar com o terrorismo que está sendo praticado, para depois pensar em aplicar reformas sociais do interesse do povo sírio'', finalizou.

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