O muro da discórdia
Jerusalém - Israel tenta conseguir um apoio americano no Conselho de Segurança da ONU em caso de opinião desfavorável da Corte Internacional de Justiça (CIJ) com relação à linha de separação, enquanto um menino palestino foi morto ontem, na Faixa de Gaza, por disparos de soldados israelenses.
O menino morreu durante confrontos entre jovens que atiravam pedras e soldados israelenses, que operam no setor desde a última segunda-feira, para impedir disparos de foguetes contra o território israelense.
O ministro israelense de Relações Exteriores, Sylvan Shalom, pediu aos Estados Unidos que vetem toda resolução do Conselho de Segurança da ONU contra a linha de separação (muro) construída na Cisjordânia, informou ontem a emissora de rádio oficial.
Shalom fez esta solicitação durante uma reunião na sexta-feira com a assessora do presidente americano para a Segurança Nacional, Condoleezza Rice, em relação à opinião consultiva que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) deve emitir sobre essa obra polêmica.
Na ocasião, o chanceler israelense reiterou o compromisso de seu governo de desmantelar as colônias irregulares na Cisjordânia, embora até agora só tenham sido evacuadas muito poucas colônias.
Condoleezza Rice pressionou o governo israelense para desmantelar as colônias não autorizadas na Cisjordânia, de acordo com os compromissos que assumiu, mas Shalom explicou que problemas jurídicos adiaram essa programação.
O primeiro-ministro Ariel Sharon se comprometeu em junho do ano passado, durante a cúpula de Aqaba (Jordânia), a congelar a colonização e a desmontar as colônias não autorizadas, criadas depois que chegou ao poder, em março de 2001.
Washington já tinha vetado, em outubro de 2003, um projeto de resolução que qualificava o muro de ''ilegal sob os termos da lei internacional'' e pedindo que sua construção fosse ''detida e invertida''.
Atualmente, as autoridades israelenses temem que uma opinião negativa da CIJ conduza à apresentação de uma nova resolução ante o Conselho de Segurança, pedindo o desmantelamento desse muro.
A CIJ, principal órgão judicial da ONU, foi consultada pela Assembléia Geral sobre ''as consequências jurídicas'' dessa barreira. Deve emitir sua opinião na próxima sexta-feira.
''Estamos conscientes das tentativas palestinas de converter isto em uma grande celebração'', afirmou Shalom na sexta-feira.





