O mundo de olho na estatueta
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de março de 1997
Da Redação com agências 
Cerca de 1,5 bilhões de telespectadores de 100 países estarão concentrados em frente à televisão, hoje, para acompanhar ao vivo a 69ª edição da entrega do Oscar, o prêmio máximo da indústria cinematográfica. A cerimônia vai acontecer direto do Shrine Auditorium, de Los Angeles, e terá o comediante Billy Cristal como anfitrião. Essa é a sexta vez que ele faz suas gracinhas, depois de quatro anos de ausência.
No Brasil, a cerimônia será transmitida pela Rede Globo e pelo canal pago Telecine. A Globo inicia suas transmissões a partir das 23h40, com apresentação do jornalista Renato Machado, comentários do crítico Rubens Ewald Filho e tradução simultânea de Elizabeth Hart. Antes da entrega dos prêmios, a emissora leva ao ar - durante os intervalos da sessão do Tela Quente - flashes ao vivo, com a repórter Ilze Scamparini mostrando a movimentação dos convidados na entrada do evento.
A Globo volta a transmitir a cerimônia do Oscar depois de um intervalo de três anos, período em que o SBT se encarregou da tarefa. Com os direitos de exibição readquiridos, a Globo recupera a exclusividade (em rede aberta) que detinha desde a década de 70.
Já o Telecine (Net/Multicanal) preparou uma programação especial. Exibe, às 21h, uma edição mais longa do programa CineView, abordando a história do prêmio, curiosidades sobre a estatueta, os preparativos para a festa e os indicados em cada categoria. Às 22h, o canal apresenta o Pré-Oscar, mostrando a chegada das personalidades ao Shrine Auditorium, além de entrevistas com atores e diretores realizadas pela rede de TV americana ABC.
A partir das 23h, começa a transmissão ao vivo, com som original e comentários do ator José Wilker. Este é o segundo ano consecutivo em que o Telecine apresenta a festa com exclusividade na TV paga. Quem assistir ao evento conosco não vai perder nenhum detalhe. A Globo sempre corta alguma coisa em função dos intervalos comerciais. O nosso público também não sofre com os inconvenientes da tradução simultânea - disse João Domenech, gerente de programação do Telecine.
Surpresas e audiênciaO grande favorito para arrebatar o Oscar de melhor filme é O Paciente Inglês, longa-metragem britânico. O apaixonado romance que tem a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo recebeu indicação em 12 categorias, entre elas a de melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante.
Com sete indicações cada uma, os outros filmes que também têm grandes chances de levar o prêmio principal da noite são Fargo, uma comédia macabra dos irmãos Joel e Ethan Coen, e Shine, que conta a história de um pianista que tem problemas mentais. Também aspiram a levar alguma estatueta o britânico Segredos e Mentiras, premiado com a Palma de Ouro no último Festival de Cannes, e Jerry Maguire, protagonizado por Tom Cruise e a única produção genuinamente norte-americana de todos os candidatos ao Oscar.
Esta edição do Oscar, aliás, se diferencia das anteriores pela presença majoritária de produções fora dos estúdios de Holywood, bem como de atores desconhecidos do grande público dos EUA. Dos 20 indicados na categoria de interpretação, 14 (oito deles estrangeiros) aspiram a ganhar um Oscar pela primeira vez. Dos cinco diretores indicados, apenas um, Joel Coen (Fargo) nasceu nos EUA.
A poucas horas a abertura dos envelopes da 69ª edição do Oscar, a pergunta feita é se a avalanche de indicações de produções independentes e estrangeiras poderá ter um efeito negativo na audiência nos EUA, que normalmente tem uma média de 75 milhões de telespectadores nesta ocasião. Poucas pessoas viram os indicados, com exceção de Jerry Maguire - declarou recentemente Tom Pollock, diretor de Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Holywood.
Em outras palavras, como disse Linda Bell Blue, produtora do programa Entertainment Tonight, para a grande público dos EUA apenas duas palavras interessam nesta edição do Oscar: Tom Cruise. Cruise, indicado pela segunda vez para a categoria de melhor ator, agora na pele de um agente esportivo em Jerry Maguire, é um dos favoritos ao lado do autraliano Geoffrey Rush, o pianista em Shine.
Já o Oscar de melhor atriz, ao que parece, vai adornar a sala da norte-americana Frances McDormand, a policial de Fargo e esposa de Joel Cohen na vida real, para decepção de suas rivais - a britânica Emily Watson (Ondas do Destino), Kristin Scott Thomas (O Paciente Inglês), Brenda Blethyn (Segredos e Mentiras) e Diane Keaton (Marvins Room).
Segundo prognósticos, Lauren Bacall, de 72 anos, indicada pela primeira vez ao Oscar, finalmente levará a estatueta de melhor atriz coadjuvante pela sua atuação em O Espelho Tem Duas Faces, dirigido por Barbra Streisand.


