O FUTURO DO AGRONEGÓCIO - Antonina, potencial empregador
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de julho de 2003
Especial para a Folha 
Cerca de 30 mil famílias guardam uma dependência direta com a eficiência e a qualidade do terminal de Antonina, segundo o economista e consultor de empresas Luiz Antonio Fayet, também responsável técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Ele acrescenta que nos últimos cinco anos, as instalações portuárias de Antonina receberam várias melhorias, sendo a mais significativa a construção do mais moderno terminal para cargas frigorificadas do País, implantado inicialmente com a capacidade estática de armazenagem de 6.500 toneladas e no mês de maio último ampliada para 13.000 toneladas. O terminal possui 380 metros de cais com dois berços de atracação e profundidade de 10 metros. O cais de carga geral possui 200 metros com um berço de atracação.
A evolução do trânsito de mercadorias cresceu sobremaneira - acrescenta o economista -, prevendo-se para os próximos anos volumes e valores muito significativos, a saber, conforme ,ovimentação registrada e estimada: em 2001, carga geral de 506,0 mil toneladas; em 2002, carga de congelados de 183,5 mil toneladas e em valores US$ 147,0 milhões, diante da carga geral de 485,0 mil toneladas; em 2003, carga de congelados estimada em 230,0 mil toneladas e em valores US$ 172,5 milhões (estimativa), diante de carga geral estimada de 940,0 mil toneladas; em 2004, carga de congelados estimada em 300 mil toneladas e em valores US$ 225 milhões (estimativa), diante de carga geral estimada em 1,29 milhão de toneladas; e em 2005, cargo de congelados estimada em 420 mil toneladas e em valores US$ 315 milhões, diante de carga geral estimada em 1,76 milhão de toneladas.
Analisando-se somente as cargas frigorificadas, constata-se que elas representam, hoje, os produtos mais nobres da cadeia soja/milho, com valores relativos equivalentes a quatro ou cinco vezes maior do que o da soja, ou perto de oito vezes ao do milho.
Esse terminal é absolutamente isolado em relação ao restante do sistema portuário, permitindo condições especiais para segregação de cargas, especialmente no que se refere ao uso de produtos transgênicos na alimentação dos animais, exigência crescente dos nossos principais mercados.
Neste aspecto vale registrar o imenso esforço que produtores, instituições de classe e governo têm realizado para efetuar a rastreabilidade de produtos e garantia de qualidade aos compradores.
Avaliamos o impacto potencial no nível de emprego que as carnes exportadas poderão gerar na economia, adotando os seguintes parâmetros: cálculo baseado nos estudos do BNDES (Najberg e Ikeda/2001), denominado Setores intensivos de mão-de-obra-Uma atualização do modelo de geração de emprego- htpp://federativo.bndes.gov.br/f_informes.htm; os valores de junho de 2001, data base do estudo, foram trazidos a valores de março de 2003 com atualização pelo IGP-FGV, resultando que R$ 10 milhões na data base, equivaleriam em março a R$ 14 milhões; para cada R$ 14 milhões de faturamento estima-se a geração de 944 empregos diretos, indiretos e efeito renda no setor de abate de animais; foi utilizada como taxa de conversão, R$ 3,00 por US$ 1,00.
Efetuados os cálculos, chega-se aos seguintes valores estimativos quanto à exportação de carnes: em 2002, US$ 183,5 milhões; em 2003, US$ 230 milhões; em 2004, US$ 300 milhões; em 2005, US$ 420 milhões. Quanto à geração de empregos (diretos, indiretos e efeito renda), as estimativas são de 37,1 mil em 2002; 46,5 mil em 2003; 60,6 mil em 2004; e 84,9 mil em 2005.
Esta avaliação demonstra que provavelmente cerca de 30 mil famílias guardam uma dependência direta com a eficiência e qualidade do terminal de Antonina, reforça o economista. Se agregássemos a estes valores os referentes às demais cargas de exportação, especialmente manufaturas de madeira e produtos siderúrgicos, os números seriam ainda muito mais significativos.
Atualmente, as cargas destinadas ao sistema portuário Antonina/Paranaguá sofrem o impacto dos custos dos pedágios, que no Paraná são muito elevados, enquanto os portos de Santa Catarina, Itajaí e São Francisco não têm a mesma incidência, prejudicando nossa competitividade.
Por outro lado, quando da construção do terminal de cargas frigorificadas de Antonina, que é patrimônio público e capital social básico do país, havia o compromisso do governo estadual de equacionar a questão de um novo acesso até a rodovia BR - 277, com aproximadamente 10 quilômetros.
Na oportunidade da decisão do investimento no terminal, que é imutável, o compromisso estatal foi um decisivo fator de ponderação, tanto por representar redução de custos e aumento de segurança, como importante para evitar a degradação física da infra-estrutura das cidades históricas de Morretes e Antonina, contudo, essa promessa também não foi cumprida.
Atendo-se às preocupações do atual governo estadual em agregar valor à nossa produção, gerar empregos e elevar o IDH de toda a população, entende-se que a maximização dos efeitos econômicos dos investimentos e dos serviços prestados pelo terminal de cargas frigorificadas e pelo porto de Antonina dão e poderão dar uma imensa contribuição.
Por outro lado, o Paraná que lidera a produção nacional de frangos e brevemente liderará a de suínos, não deve desperdiçar a oportunidade de integrar todos os benefícios dessas atividades e, inclusive, tentar ampliá-las. Finalmente, a continuidade dos investimentos nos embarcadouros de Antonina, que estão em adiantada fase de estudos, só serão viáveis com a melhoria das condições de acesso.


