O drama dos sobreviventes
O Estado indiano de Gujarat (oeste), devastado por um terremoto em 26 de janeiro, também está sofrendo com os danos psicológicos e as organizações humanitárias deram início a um trabalho que deverá apresentar frutos somente a longo prazo. Na cidade de Bhuj, quase completamente destruída, onze dias depois do terremoto os feridos ainda chegavam aos hospitais improvisados em centros pré-fabricados instalados pelas ONGs. Enquanto o atendimento é feito em mesas metálicas cobertas por tecidos impermeáveis, algumas vítimas são colocadas deitadas no chão, sem ferimentos aparentes, mas alheias ao mundo que as cerca. Não temos tempo para dar um apoio psicológico, que seria necessário, lamentou-se o dr. Chirag Patel. Depois das emergências, começaremos a cuidar disto.
A imprensa da Índia informou sobre um homem em Gujarat que, vários dias depois do tremor, teve um pesadelo e, achando que era um novo terremoto, quebrou as duas pernas ao pular por uma janela. É um caso clássico, segundo o dr. Luis Jorge Pérez, especialista enviado pela Organização Mundial da Saúde.
Os casos de tensão, inclusive de agressividade, também são explicáveis, segundo o médico: As vítimas confiavam no Governo, no exército, em um líder religioso ou uma instituição. Diante da impotência deles, reagem de modo violento, afirma.
As crianças são afetadas em cheio pelos traumatismos. Alguns voltam a urinar na cama, têm pesadelos. Pedem para deitar com os pais, explica o dr. Pérez. Outro caso clínico corrente, inclusive entre os adultos, é o medo de dormir no escuro.
A Cruz Vermelha Internacional reconhece os problemas psicológicos gerados pelos desastres do tipo do terremoto de Gujarat. Entre suas equipes em Bhuj, há uma encarregada de preparar um programa para responder a este tipo de situação.





