Santiago - Não é uma data festiva, nem há toque de recolher, mas a cada 11 de setembro, quando o golpe de Estado de Augusto Pinochet, em 1973, é lembrado, ruas, escolas e lojas chilenas se esvaziam por uma extrema precaução frente a possíveis distúrbios noturnos.
Semanas antes de cada aniversário do assalto ao poder dos militares que derrubaram o governo do socialista Salvador Allende, as escolas informam aos pais que deverão buscar seu filhos três horas antes do habitual.
O motivo, dizem, é "facilitar um retorno normal para casa" - a mesma razão pela qual empresas, escritórios e lojas liberam seus funcionários muito antes do final do expediente.
Apesar de já terem se passado 40 anos do golpe de Estado e de o país acumular 23 anos de democracia, os chilenos - especialmente os mais velhos - assumem essa data como um dia perigoso, no qual é melhor ficar em casa.
Os primeiros protestos convocadas pelo 11 de setembro foram em 1983, uma década depois do golpe. Nesse ano, iniciou-se uma tímida oposição nas ruas. Eram famosos os apagões causados pelas correntes que os manifestantes jogavam na fiação elétrica, as barricadas e os confrontos com a polícia, que, nos tempos da ditadura, deixavam dezenas de mortos.
Chegada a democracia, em 1990, a data se tornou um resíduo da luta nas ruas contra o legado da ditadura, misturado à delinquência, que aproveita para fazer saques e destruir. No início do dia, foram registrados alguns incidentes em comunidades da periferia. Pelo menos 68 pessoas foram presas e cinco veículos, queimados.

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