O caubói da 'Guerra nas Estrelas'
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domingo, 06 de junho de 2004
France Presse 
Los Angeles - Ele era um caubói de Hollywood que fazia a ''Guerra
nas Estrelas'' sob os refletores da Casa Branca. Ator de cinema convertido em presidente, Ronald Reagan reinventou os Estados Unidos dos anos 80 com um roteiro de ''sonho americano''.
Gênio da política televisiva, o quadragésimo presidente dos Estados Unidos devolveu confiança e prosperidade a um país desmoralizado. Com suas receitas ultraliberais, este crítico do ''Estado do Bem-Estar'' mudou radicalmente o rumo de 50 anos de história americana e questionou a herança do ''New Deal'' deixada pelo presidente Roosevelt.
Reagan, um anticomunista visceral que classificava a extinta União Soviética de ''Império do Mal'', conseguiu com o ''amigo'' Mikhail Gorbatchev uma aproximação histórica entre as duas superpotências. Ambos estabeleceram uma ''relação pessoal'', segundo palavras do próprio presidente americano.
Nascido no dia 6 de fevereiro de 1911, em Tampico, estado de Illinois, Reagan cresceu junto a um pai alcoólatra - Jack, católico irlandês e democrata que trabalhava como representante de uma marca de sapatos - e uma mãe protestante, Nelle, puritana militante.
Formado em Economia e Sociologia, fã de natação e futebol americano, foi comentarista esportivo numa rádio de Iowa. Depois, conseguiu um papel no estúdio Warner Bros, em Hollywood. Foi o início de uma carreira cinematográfica que o levou a participar de mais de 50 filmes em 28 anos.
Eleito presidente do Sindicato dos Atores de Cinema Americanos em 1947, cargo para o qual foi reeleito seis vezes, o jovem democrata convertido aos valores republicanos participou da ''caça às bruxas'', aprovando as listas negras dos Estados Unidos macarthistas para ''limpar'' Hollywood de comunistas.
O ator Reagan fez sua primeira incursão de destaque pela política em 1964, com o que seria o ponto forte de sua carreira, um discurso televisivo. Nessa ocasião, para apoiar o então candidato republicano à Presidência Barry Goldwater. Dois anos mais tarde, Reagan foi eleito governador da Califórnia, cargo que manteve durante dois mandatos.
Seu objetivo seguinte foi a Casa Branca, mas fracassou duas vezes na corrida pela candidatura republicana. Em 1980, finalmente, foi escolhido por unanimidade na convenção, e em 4 de novembro elegeu-se presidente dos Estados Unidos, com uma vitória esmagadora sobre o então chefe de Estado, o democrata Jimmy Carter.
Recém-instalado na Casa Branca, Reagan escapou milagrosamente de um atentado e, após uma rápida recuperação, iniciou seu programa de reativação econômica, através de uma redução da pressão fiscal e da desregulamentação da indústria.
Aumentou o orçamento do Pentágono e iniciou o reforço das Forças Armadas, que se consagrou anos mais tarde com seu programa de defesa antimísseis, apelidado de ''Guerra nas Estrelas''. ''Os Estados Unidos estão de volta'', dizia o presidente, frequentemente visto usando chapéu de caubói e montando um cavalo. Em 1984, foi reeleito triunfalmente.
Quando Reagan deixou a Casa Branca, em 1989, o país havia voltado à prosperidade: em oito anos, a inflação caiu de 10,8% para 5,6%. Mas a outra face da moeda, os déficits orçamentário e fiscal, dispararam. Simbolizada pela consagração dos ''golden boys'' em Wall Street, a era Reagan também foi marcada pelo surgimento de uma nova classe de pobres, vítima da redução dos programas sociais. Sua política externa foi marcada pelo acordo assinado em 1987 com Moscou, através do qual os dois países eliminaram os mísseis de médio alcance.
Para a posteridade também entraram o envio de marines para Granada (1983), o bombardeio à Líbia (1986), e outros êxitos duvidosos em El Salvador e Nicarágua, assim como o ''Irangate'', escândalo envolvendo a venda secreta de armas ao Irã para financiar os ''contras'' nicaraguenses.


