Tudo indicava que este ano poderia ser marcante para a História da humanidade. Os caminhos pareciam abertos para a pacificação. No final do ano passado, o grande desafio da guerra na Bósnia tinha sido equacionado; o Oriente Médio já implementava, com as dificuldades naturais, os acordos de paz firmados entre Israel e os palestinos. A África do Sul seguia firme em sua caminhada pós-apartheid, os conflitos Leste-Oeste eram vistos como coisa do passado. Até mesmo os problemas criados pelo Iraque estavam evoluindo para um entendimento que permitiria aos iraquianos voltar a vender seu petróleo, superando a sanção mundial imposta em consequência da invasão do Kuwait, seis anos atrás.
Entretanto, houve dificuldades inesperadas. A Bósnia conseguiu recomeçar sua vida, mas em outras regiões a paz ficou distante.
Em Israel, o país dava a impressão de haver superado o trauma do assassinato de Yitzhak Rabin, morto por um fanático judeu contrário ao projeto de paz com os palestinos. Shimon Peres, parceiro de Rabin na campanha de paz, herdeiro natural do comando, sentia-se tão seguro e confiante no posto que resolveu antecipar a convocação de eleições gerais para, através de uma vitória consagradora, ter ainda maior representatividade na continuação do processo de paz.
Mas os planos de Peres explodiram junto com as bombas detonadas por fanáticos árabes, em atentados realizados em Jerusalém e Tel Aviv. E, a 27 de maio, ao invés da grande vitória esperada, Peres amargou a derrota. O vitorioso, Benjamin Netanyahu, assumiu e deixou evidente que, fiel ao programa anunciado nas eleições, não implementaria os acordos de paz com os palestinos sem antes ter garantias de que eles renunciariam à violência. O resultado disto foi a retomada da violência, que voltou à região por meses seguidos.
A violência também foi uma constante em territórios da extinta URSS, principalmente na Chechênia, onde por fim russos e chechenos selaram um acordo. Até a tradicional divisão Oriente-Ocidente ressurgiu este ano. Foi na escolha do novo secretário-geral da ONU: os Estados Unidos vetaram a reeleição do secretário Butros-Ghali. A Rússia anunciou que não aceitaria outro. O embate foi curto e o entendimento prevaleceu, com a escolha do ganense Kofi Annan para dirigir a ONU a partir de 97.

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