O anjo da guarda dos reféns
Visivelmente cansado e com dificuldades para caminhar, Alan Jara saiu do helicóptero brasileiro que auxiliou o resgate e imediatamente abraçou sua esposa, Claudia Rujeles, e seu filho Alan Felipe, de 15 anos. ''Quero enviar um recado de esperança para meus companheiros que ainda estão em cativeiro. Hoje aconteceu um milagre, e outros milagres estão por vir''.
Alan Jara é o quinto refém político liberado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) esta semana. Três policiais e um soldado sequestrados em 2007 foram libertados no domingo. Amanhã deve ser solto o ex-deputado Sigifredo Lopez, sequestrado em 2002.
Alan Jara, um engenheiro de 51 anos, foi sequestrado em 15 de junho de 2001, quando circulava pelo departamento de Meta a bordo de um veículo da ONU. No cativeiro, ele era chamado de ''anjo da guarda'', por ter dado a seus companheiros a força de sobreviver ensinando-lhes rudimentos de inglês e russo.
Apesar das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia terem decidido dividir os políticos e militares em dois grupos, Jara permaneceu junto com os oficiais, que imploraram aos guerrilheiros por sua presença.
Sobre uma mesa improvisada, em meio às duras condições do cativeiro, cercado pela selva, Jara acomodava os militares em um círculo em torno de si, para ensinar inglês e russo, que aprendeu em Kiev, na Ucrânia, onde se formou em Engenharia.
''Alan tem uma enorme paixão pela docência, mas, sobretudo, uma forte convicção: que o único bem que ninguém nem nada pode tirar de um ser humano é a força do pensamento, e isso fez com que ele motivasse esses homens e os ajudasse a sobreviver'', disse Claudia Rugeles, mulher de Jara.
Através das aulas - que incluíam prêmios imaginários para aqueles que tivessem a melhor pronúncia ou concursos de ortografia dos novos idiomas -, o político ajudou os militares - e a ele mesmo - a manter a vontade de viver no cativeiro.
''Ele sempre encontrava uma maneira de levantar o ânimo. Motivava-os dizendo que aprendessem os idiomas, para que, quando fossem soltos, fossem enviados por suas instituições para embaixadas no estrangeiro, e essa ilusão os manteve vivos'', conta a ex-refém Consuelo González.
''Todas as pessoas que saem do cativeiro concordam que, graças a Alan, sofreram muito menos, e que contar com ele permitiu que seguissem com vida. Isso para mim era um grande estímulo, mas já chegou a hora dele vir e salvar minha vida e a vida de meu filho'', afirmou a mulher do político.





