Na abertura da Cúpula do Milênio, ontem, na Organização das Nações Unidas (ONU), Bill Clinton fez seu último discurso como presidente (seu mandato termina no final do ano) exortando os líderes mundiais a resolver os conflitos entre nações, eliminar doenças como tuberculose e reduzir as dívidas dos países em desenvolvimento.
Do lado de fora, as preocupações de ativistas políticos de 91 organizações e movimentos autorizados a protestar eram diferentes: destaque para a Associação dos Médicos-Residentes da Coréia do Sul, que levou suas querelas com o governo daquele país asiático às portas das Nações Unidas.
A reunião de 150 líderes mundiais durante uma semana em Nova York confirmou as previsões de megaengarrafamentos. Ontem, houve o maior já visto na cidade. Cerca de 6 mil policiais nas ruas garantiram um primeiro dia sem incidentes às autoridades.
Manifestantes tentaram vender suas mensagens políticas. O local foi isolado pela polícia, com cavaletes formando vários cubículos, destinados aos grupos autorizados a fazer demonstrações públicas sem público, apenas na presença de câmeras e repórteres.
No frio de 13 graus, o primeiro grupo chegou às sete horas para garantir lugar na fila da frente. Era composto por 10 judeus em favor da paz no Oriente Médio. A turma usava uma batucada para cantar ‘‘Give Peace a Chance’’ – um hino de paz composto por John Lennon.
No segundo cubículo, os tais médicos coreanos. O material de propaganda deles exigia que a profissão no país fosse reservada apenas aos médicos. Para mostrar a seriedade do problema, exibiam fotos de um colega de 26 anos que teve a espinha fraturada pela polícia, sabe-se lá como.
No terceiro cubículo, um grupo de mulheres iranianas com um pedido que ilustra a barbárie por aquelas plagas. ‘‘Parem com o apedrejamento de mulheres.’’ O movimento exibia um cartaz vermelho do Partido Comunista do Irã.
O quarto estava ocupado por várias pessoas de grupos diferentes. Haviam mais judeus, de uma facção linha dura contra os árabes. Do lado deles, um nova-iorquino num protesto do tipo ‘‘eu-sozinho’’, erguendo um cartaz contra o funcionamento de uma discoteca nas proximidades de Auschwitz.

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