Associated Press
E France Presse
De Istambul
O número de mortos subiu para quase 18 mil no trágico terremoto de terça-feira passada na Turquia enquanto sobreviventes lutavam para evitar que seus cartões de identificação e curativos caíssem na forte chuva que assola o oeste da Turquia.
O primeiro-ministro Bulent Ecevit admitiu que governos anteriores ao seu também têm uma parcela de culpa pelas construções de péssima qualidade que contribuíram para o grande número de vítimas e disse que as pessoas têm o direito de se zangarem.
‘‘Erros foram cometidos’’, disse Ecevit em entrevista à rede de televisão CNN, acrescentando que o governo já está trabalhando em medidas mais duras para resolver o problema.
Os turcos expressaram descontentamento pela lenta reação do governo à crise. Ecevit reconheceu que houve atraso nos esforços de resgate. Ele atribuiu o problema – considerado por ele inevitável devido ao terremoto de 7,4 graus na escala Richter – aos danos ocorridos nos setores de comunicação, incluindo a destruição de pontes e trechos inteiros de estradas. ‘‘Estamos com um tremendo déficit habitacional’’, disse ele à CNN, prometendo reconstruir as habitações em ‘‘áreas geologicamente firmes’’.
Ainda nesta terça-feira, um terremoto de 4,7 graus de magnitude sacudiu a capital Ancara, fazendo com que moradores fugissem para as ruas. O tremor, com epicentro próximo a Haymana – cidade cerca de 60 quilômetros ao sul de Ancara – foi seguido por um reflexo de 4,2 graus na escala Richter. Não havia informações imediatas de danos ou vítimas causados por este terremoto.
A ajuda humanitária sufocou a Turquia, que pediu auxílio, além de desinfetantes, vacinas antitetânicas, bangalôs, gazes, lanternas, cobertores, maquinaria pesada para limpar os escombros e caminhões de lixo. A Turquia pediu ainda às Nações Unidas que enviassem 45 mil sacos especiais para colocar os corpos das vítimas.
Há 200 mil desabrigados, segundo cálculos do Conselho de Segurança Nacional da Turquia. As pessoas estão sendo colocadas em tendas e abrigos improvisados, uma semana após o terremoto.
O número de mortos subiu para 17.997, enquanto mais corpos eram retirados dos escombros. Funcionários do governo estimam que o número final de vítimas fatais pode atingir 40 mil.
Um grupo holandês informou que enviaria 30 mil abrigos pré-fabricados projetados para resistir a terremotos e invernos rígidos. Os Estados Unidos planejam enviar 3,5 mil tendas, segundo a imprensa.
A busca por sobreviventes estava diminuindo e os esforços estavam sendo concentrados na ajuda aos desabrigados. ‘‘Nossas atenções se voltam agora para eles (os desabrigados)’’, declarou Ecevit. Poucas equipes de resgate estrangeiras continuavam as buscas, alegando que algumas pessoas foram encontradas com vida mais de uma semana após outros terremotos.
Algumas equipes de resgate continuavam trabalhando nos escombros, alertados pelos moradores que diziam ter ouvido gritos procedentes das ruínas. Mas, as esperanças de encontrar sobreviventes é praticamente nula depois de uma semana. A maioria das equipes estrangeiras deixaram o país, deixando em seu lugar equipes médicas que ajudam os sobreviventes.
O terremoto que devastou a região mais rica da Turquia afetou em cheio as pequenas e médias empresas que já estavam em uma situação difícil por causa da crise econômica turca, enquanto as grandes empresas e seus investimentos quase não foram afetados.
Segundo o jornal ‘‘Milliyet’’, o ministro das Finanças prepara um projeto de lei para impor um ‘‘imposto de solidariedade’’ único com a finalidade de financiar a ajuda aos sobreviventes do terremoto.

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