Número de mortos ultrapassa 20 mil na Índia
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segunda-feira, 29 de janeiro de 2001
France Presse e Associated Press De Nova Délhi e Ahmedabad 
Pelo menos 20 mil pessoas morreram no terremoto que devastou o Estado de Gujarat, no Oeste da Índia, na última sexta-feira. A informação foi dada a televisão indiana pelo ministro da Defesa George Fernandes.
O saldo de mortos pode ser de 20 mil e provavelmente mais, declarou Fernanes ao canal de televisão Star News, enquanto visitava a localidade de Anjar, uma das mais afetadas.
Ontem, enquanto o ministro da Índia apelava por ajuda, equipes de resgate e cães farejadores encontraram poucos sinais de vida entre a destruição em Gujarat, o estado oriental da Índia que sofreu a força principal do terremoto.
Centenas de pessoas permanecem diante das ruínas de uma escola pública. Cerca de 400 crianças estavam no interior dela no momento do terremoto, festejando o Dia da Independência. Outros 70 colegiais morreram em Ahmedabad (capital de Gujurat) ao desabar o prédio do colégio Swaminarayan. Só uma dezena foi resgatada com vida. Na mesma cidade, socorristas tentam tirar 19 estudantes de Engenharia do meio dos escombros da faculdade de Engenharia.
A cada minuto aumenta o número de mortos, disse o secretário do Interior de Gujurat, Keshubai Patel. O governo indiano enviou dezenas de escavadeiras para as cidades atingidas. Precisaríamos de milhares de máquinas para para diminuir os efeitos dessa tragédia, ressaltou Patel, lembrando que o terremoto de sexta-feira foi o mais devastador desde a independência da ãndia da Grã-Bretanha há mais de 50 anos.
Mais de 200 mil pessoas estão desabrigadas. O governo indiano está solicitando ajuda internacional, principalmente doações de barracas, cobertores, agasalhos e medicamentos. O terremoto terá reflexo negativo na economia do país, motivo pelo qual o governo indiano pediu ajuda de US$ 1 bilhão ao Banco Mundial.
No domingo pela manhã, outro terremoto de 5,9 na escala Richter causou novo caos em Ahmedabad. Algumas pessoas saíram às ruas, abandonando os imóveis onde passaram a noite. A maioria dos habitantes, no entanto, preferiu passar a noite ao ar livre, em parques e jardins.
É muito preocupante. Existem fissuras que apareceram nos imóveis que até agora não pareciam afetados, explica Sunil Raghu, um habitante de Ahmedabad.
Saímos de nossa casa na manhã do terremoto e voltamos ontem. Com o cair da noite, saí durante uma hora e, quando voltei, notei grandes fissuras nas paredes. Não temos qualquer garantia de segurança quanto à construção.
Um menino nascido no exato momento em que acontecia o violento terremoto foi batizado Bhukamp, que significa Terremoto, informou o jornal Asian Age. O bebê nasceu em Ahmedabad, a principal cidade do Estado de Gujarat, às 8h46 locais (1h16 no horário de Brasília) de sexta-feira passada. A mãe, Riddhi Pandiya, foi quem teve a idéia do nome.


