Beslan - Pelo menos 322 pessoas morreram, entre elas 155 crianças, e mais de 700 foram feridas no desenlace, na última sexta-feira, da captura de reféns na escola de Beslan, na Ossétia do Norte (Cáucaso russo). ''As verificações estão sendo feitas. Até agora (manhã do sábado), foram contados 322 mortos, entre eles 155 menores'', declarou o vice-procurador geral da Rússia, Serguei Fridinski. ''O balanço não é definitivo e pode aumentar, embora não muito'', acrescentou.
O sangrento desenlace elevou o número total de pessoas que morreram em atos terroristas na Rússia nos últimos 10 dias: uma explosão no ar de dois aviões, com 90; e o atentado no metrô de Moscou, com 11 mortos. Esses atentados foram reivindicados por grupo islamita que apóia a independência da Chechênia. A onda de terror coincidiu com a eleição presidencial na Chechênia no dia 29 de agosto, que terminou com a vitória de Alu Alkhanov, ligado ao presidente russo Putin, em uma votação que foi questionada.
Ontem grupos de resgate continuavam retirando corpos queimados e mutilados. Os especialistas disseram que no local há muitos explosivos. Em frente à escola, numerosas famílias esperavam angustiadas. Uma mulher, com a foto de uma menina, dizia: ''é minha sobrinha, chama-se Medina. Já a procurei por toda parte e não está em nenhum hospital''.
Durante todo o dia da quinta-feira, se tentou negociar com os sequestradores, enquanto as forças da ordem chegaram a descartar a possibilidade de invadir o local. ''Todas as possibilidades estavam sendo estudadas, mas o uso da força não estava planejado'', confirmou ontem o presidente Putin à imprensa.
O Kremlin, entretanto, não parecia ter intenção de negociar. Depois de silenciar durante um tempo os objetivos políticos dos sequestradores, os dirigentes russos informaram, na sexta-feira, sobre a exigência de independência da Chechênia. A exigência - ao contrário das versões que falavam da retirada das tropas russas da Chechênia e libertação de prisioneiros na Inguchétia (república vizinha da Chechênia) - teria permitido ao Kremlin justificar uma recusa em negociar em nome da soberania da Rússia.
Os combates duraram seis horas e um general russo reconheceu que foram utilizados tanques. As forças russas sofreram 10 baixas. O chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB, ex-KGB) para a Ossétia do Norte, Valeri Andreiev, informou que 32 pessoas do comando foram mortas, pelos menos 10 seriam árabes.

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