Cerca de 400 argelinos foram massacrados na noite de terça-feira passada, no primeiro dia de jejum muçulmano do Ramadã, em povoados da região de Relizan, oeste de Argel, informaram ontem os jornais ‘‘Libert钒 e ‘‘El Watan’’. O ‘‘Libert钒 cita a cifra precisa de 412 mortos, ‘‘El Watan’’ fala de ‘‘cerca de 400’’.
Ao contrário do balanço oficial anunciado na quarta-feira, que era de 78 mortos e 68 feridos, o jornal pró-governamental, ‘‘L’Authentique’’, falou, por sua vez, de um balanço ‘‘seriamente mais elevado’’, que ‘‘poderia alcançar 150 vítimas fatais’’.
‘‘A cifra fornecida pelos serviços de segurança é colocada em dúvida pelos testemunhos recolhidos no local do crime e pelos jornalistas, que dão conta de quase 400 mortos’’, escreveu o ‘‘El Watan’’.
A matança de terça-feira é a mais grave registrada em seis anos de conflito argelino. Segundo o ‘‘Libert钒, aconteceu em quatro povoados do distrito de Suk el Had, no sopé das montanhas de Uarsenis, e teve início às 18h, no final do jejum.
O jornal, que fala de um ‘‘verdadeiro genocídio’’, estabeleceu o balanço a partir do testemunho de sobreviventes de uma das aldeias e no hospital de Ued R’hiú. Segundo o informe, houve 176 mortos em Jurba, 113 em Uled Sahnun e 123 em El Abadel e Uled Tayeb.
Os camponeses e suas famílias foram degolados, decapitados e mutilados. As crianças jogadas contra os muros das casas, segundo os testemunhos. Uma testemunha perdeu toda a família no massacre e citou ter recolhido 80 cadáveres. Outro perdeu sua esposa e seus três filhos, que foram degolados. Acrescentou ter visto uma moça ter os seios cortados.
‘‘Pisaram em mim e enfiaram um machado na minha barriga’’, relatou, no hospital, uma moça de 16 anos. Não sei como consegui sobreviver’’. O ‘‘El Watan’’ insistia que ‘‘a cifra fornecida pelos serviços de segurança foram desmentidas pelos testemunhos recolhidos pelos jornalistas presentes nos locais das matanças’’.
Os jornais informavam sobre uma série de atentados que causaram mais dez mortes. Em Argel, pelo menos quatro pessoas foram assassinadas anteontem num falso controle de passagem em Beaufraisier, indicou o jornal ‘‘La Tribune’’. O ‘‘El Watan’’ deu conta de um morto e quatro feridos.
Em Bu Saada, quatro pessoas de uma mesma família foram degoladas na madrugada de quarta-feira e suas duas filhas foram sequestradas. No Sul de Argel, os ‘‘patriotas’’ (civis armados pelas autoridades) de uma aldeia perto de Chebli (50 km ao sul de Argel) se defenderam anteontem, ao amanhecer, de um ataque de um grupo ‘‘terrorista’’. Dois ou três islamitas morreram e quatro civis ficaram feridos, entre eles um menino de dez anos, que acabou morrendo.
‘‘Usavam roupa afegã. Estavam armados com kalashnikovs e fuzis de caça’’, relatou um habitante citado por ‘‘Le Matin’’, que publica a foto do enterro da criança. Na quinta-feira, um atentado à bomba em um ônibus em Medéia causou um morto e dois feridos, segundo El Jabar. Em Bufarik (30 km ao Sul de Argel), um atentado em uma loja causou um morto e um ferido.
Segundo ‘‘Le Matin’’, uma bomba foi desativada perto de um cinema de Argel, no bairro popular de Belcourt, e um ‘‘terrorista’’ foi detido quando ia colocar um explosivo numa mesquita, em Benian (oeste de Argel).

mockup