Número de mortos pode aumentar na Argélia
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segunda-feira, 12 de novembro de 2001
France Presse<br>De Argel 
O terrível balanço das catastróficas tempestades que castigaram a Argélia no sábado, principalmente a capital Argel, onde morreram 300 pessoas, pode aumentar consideravelmente por causa dos desaparecidos.
O chefe do governo, Alí Benflis, que convocou seu gabinete com urgência ontem, afirmou que o número de vítimas ''deve aumentar'' por causa dos desaparecidos, e que poderia subir ainda ''várias dezenas''.
Esse pessimismo de Benflis era compartilhado por equipes da defesa civil e moradores dos bairros mais atingidos de Argel, a cidade mais atingida do país pelas fortes chuvas.
Cinco novos corpos foram encontrado ontem em Argel, segundo a rádio nacional.
Também houve 20 mortos em outras regiões do país, principalmente em Orán (oeste), Cherchell (oeste), Setif (leste) e Medea, próximas à capital.
Além das vítimas mortais e mais 300 feridos, há mais de 1.500 famílias desabrigadas em Argel e 2.500 no restante do país.
Um membro da defesa civil que trabalha em Bab El Ued, um bairro pobre da zona oeste de Argel assolado por inundações, acredita que o balanço definitivo dessa catástrofe sem precedentes, somente estará completo dentro de algumas semanas.
Ontem as equipes de socorro começavam a retirar dos escombros dos bairros da zona oeste de Argel.
Com recursos muito limitados, os voluntários, visivelmente abalados com a magnitude da tragédia, ajudavam os bombeiros.
Enquanto isso, o exército, com maquinário pesado e escavadeiras, retirava detritos e as dezenas de carros que ficaram empilhados na rodovia Frais Vallon, também em Argel.
O governo decidiu liberar fundos para um programa de emergência destinado às zonas prejudicadas.
O ministro do Interior, Yazid Zerhuni, disse que se tratava de uma ''catástrofe nacional'' e no sábado fez um apelo à solidariedade internacional.
Até o momento, porém, apenas o Qatar anunciou o envio de assistência humanitária.
As chuvas torrenciais, que pararam no final da tarde de sábado, recomeçaram timidamente ontem de manhã, provocando nova preocupação entre os argelinos, mas os serviços meteorológicos anunciavam apenas ''chuva leve e dispersa'' para as próximas horas.
Tanto a população como a imprensa se perguntavam ontem como pode acontecer essa tragédia, e colocavam a culpa na ''incompetência e irresponsabilidade das autoridades''.
De fato, o ministro Zerhuni considerou que ''era preciso tirar lições desta catástrofe'', já que a maioria das vítimas morreu no desmoronamento de casas e prédios precariamente construídos em áreas ribeirinhas.
Na Espanha, cinco pessoas morreram desde sexta-feira por causa das fortes chuvas acompanhadas da severa onda de frio que castigam o país, parcialmente paralisado devido as péssimas condições meteorológicas.


