Tóquio - A polícia do Japão aumentou para 564 o número de mortos e situou em 600 o de desaparecidos pelo terremoto de 8,9 graus na escala Richter, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, que sacudiu, anteontem, o Nordeste do país e que foi seguido por um devastador tsunami.
Trata-se da apuração oficial. No entanto, a imprensa japonesa, como a agência Kyodo, estima que o número final de vítimas superará os 1.700. Às vítimas já contabilizadas pela polícia foram somadas outras 200 ou 300 pessoas que se afogaram em Sendai, capital da província de Miyagi, segundo as autoridades locais.
Além disso, outros 200 corpos teriam sido transferidos para ginásios nas localidades de Iwanuma e Natori, também em Miyagi. Segundo a Kyodo, cerca de 300 mil pessoas foram evacuadas em cinco províncias do nordeste do Japão, entre elas mais de 46 mil próximas a uma usina nuclear em Fukushima (norte de Tóquio), onde neste sábado aconteceu uma forte explosão que feriu quatro pessoas.
O porta-voz do Executivo, Yukio Edano, estimou durante uma reunião do comitê de emergência em Tóquio que ''pensamos que mais de mil pessoas perderam as vidas'' por causa do terremoto, o maior que se tem conhecimento no país.
O primeiro-ministro, Naoto Kan, informou que 50 mil militares se dedicarão aos trabalhos de resgate nas províncias afetadas do nordeste do Japão. Um total de 190 aviões e 25 navios já foram deslocados para as tarefas de busca, nas quais os Estados Unidos colaborarão com seus navios para o transporte de soldados das Forças de Autodefesa (Exército japonês).
Há, pelo menos, 3,4 mil edifícios destruídos no Japão pelo terremoto, que além disso causou, aproximadamente, 200 incêndios. Na província oriental de Iwate, algumas cidades foram praticamente varridas do mapa pelo tsunami provocado pelo terremoto, com ondas de até dez metros de altura.
Radiação
Ao menos três japoneses moradores de uma cidade próxima à usina nuclear que explodiu foram expostos à radiação, relatou neste sábado a imprensa local, aumentando o temor de um grande vazamento radioativo depois do terremoto de sexta-feira que abalou o nordeste do Japão.
Essas três pessoas faziam parte de um grupo de cerca de 90 pacientes internados em um hospital da cidade de Futaba-machi e foram escolhidos aleatoriamente por médicos para serem submetidos a testes, após o incidente nuclear, informou a televisão pública NHK.
A explosão que ocorreu neste sábado na usina Fukushima 1 fez com que parte do prédio que comporta o reator número 1 derretesse. No entanto, o governo afirmou que o exterior do reator não foi danificado e pediu que a população local mantivesse a calma.Ainda assim, as autoridades ordenaram a evacuação dos habitantes a um raio de 20 km da usina.
Chile
As ondas do tsunami provocado pelo terremoto que devastou o Japão chegaram ontem à costa do Chile. Elas causaram um comportamento irregular das marés e algumas inundações nas zonas central e sul do país. A primeira zona afetada foi a Ilha de Páscoa, onde foi registrado aumento de 1,16 metros no nível do mar, segundo o ministro do Interior do Chile, Rodrigo Hinzpeter. Durante a madrugada, o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha do Chile restringiu o alarme de tsunami. No continente, ele só se aplica à Antártica chilena.

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