São Paulo - O número de mortos em decorrência da violência de ontem em frente ao quartel-general da Guarda Republicana do Egito, no Cairo, subiu para 51, disse o chefe dos serviços de emergência egípcio.
O número de feridos é de 435, informou Mohamed Sultan. Os militares disseram que "um grupo terrorista" tentou invadir o prédio. A Irmandade Muçulmana, ao contrário, acusou o Exército de abrir fogo, enquanto alguns manifestantes islamistas faziam orações matinais em frente ao quartel no qual acredita-se que o presidente deposto Mohamed Morsi encontra-se detido.
As Forças Armadas do Egito garantiram, durante coletiva de imprensa realizada às 11h30 (horário de Brasília), que foram atacadas com armas de fogo pelos manifestantes islamitas nos arredores do quartel-general da Guarda Republicana, o que motivou sua resposta.
Na coletiva, porta-vozes do Exército e da polícia acusaram os seguidores do presidente deposto Mohamed Morsi de terem iniciado os confrontos, e asseguraram que sua resposta foi "dentro dos limites da lei". O Exército egípcio também advertiu que não permitirá que ninguém ameace a segurança nacional.
O partido salafista egípcio Al-Nur, que apoiou o golpe que depôs Morsi, anunciou a suspensão de seus esforços em compor o governo interino do país.
A decisão foi tomada após o massacre de apoiadores de Morsi e da Irmandade Muçulmana.
O Al-Nur, que defende um governo islamita radical, apoiava o governo de Morsi e da Irmandade Muçulmana, também associados à religião, até janeiro, quando se juntou à oposição - tendo sido o único governo islamita ligado ao golpe.
Entre outras decisões, o partido vetou o nome do diplomata e Nobel da Paz Mohamed El Baradei, ícone liberal do país, como primeiro-ministro interino.

Protestos
A Irmandade Muçulmana classificou as mortes de ontem como um "massacre" cometido pelo Exército e a polícia contra manifestantes pacíficos, convocando mais protestos para hoje. "Convoco os egípcios a escutarem a voz da razão antes que seja tarde demais. Imediatamente, deve cessar qualquer ação que possa causar o caos", afirmou o líder religioso.
O xeque Ahmed al Tayyip, da instituição mais tradicional do islã sunita Al-Azhar, pediu ontem que os egípcios alcancem um acordo para reconciliação nacional "antes que o país caia na guerra civil".

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