Número de mortos de atentado na Somália chega a 300
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Folhapress 

São Paulo O número de mortos do atentado duplo registrado no sábado (14) em Mogadíscio, capital da Somália, subiu para 300, afirmou o diretor de um serviço de ambulâncias nesta segunda-feira (16). Segundo Abdulkadir Adam, mais vítimas morreram nas últimas horas devido aos ferimentos. O governo espera que o número de mortos continue a subir. Os ataques, separados por um intervalo de algumas horas, deixaram também ao menos 300 feridos e destruíram dezenas de prédios e de veículos.
O primeiro, mais mortífero, aconteceu nos arredores de um conhecido hotel da cidade, em um perímetro com vários ministérios e embaixadas. O prédio da representação diplomática do Qatar foi severamente atingido. Nenhum grupo reivindicou o ataque, mas o governo somali apontou como culpados os rebeldes do Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda.
Em sua luta contra a administração central, a facção executa com frequência ataques suicidas contra militares e alvos civis. Seu raio de ação se estende até o Quênia. No início do ano, o Al-Shabaab afirmou que iria intensificar os ataques depois que os governos americanos e somali anunciaram o lançamento de novas ofensivas militares contra os rebeldes.
Os hospitais de Mogadíscio, sobrecarregados de pacientes, começaram a receber ajuda internacional nesta segunda. Mais de 70 pessoas com ferimentos graves foram transportadas de avião para a Turquia. O ministro da informação, Abdirahman Osman, afirmou que o Quênia e a Etiópia também ofereceram enviar assistência médica para auxiliar no episódio que o governo chamou de "desastre nacional".
Trata-se de um dos piores ataques da África subsaariana, maior que aquele ocorrido na Universidade Garissa, no Quênia, em que 148 pessoas morreram em 2015. O atentado também superou em número de mortes os bombardeios de 1998 na Tanzânia e no Quênia, que deixaram cerca de 219 mortos.
Os Estados Unidos condenaram o ataque, dizendo em um comunicado que "esses atos covardes revigoram o compromisso dos EUA em assistir nossos parceiros da Somália e da União Africana no combate ao flagelo do terrorismo". O enviado especial das Nações Unidas à Somália, Michael Keating, afirmou que a ONU e a União Africana estavam apoiando o governo somali com "apoio logístico, suprimentos médicos e expertise" e chamou o atentado de "revoltante".


