A publicação detalhada do mapa do código genético humano nesta segunda-feira, confirma que o genoma humano tem menos genes do que o previsto, cerca de 30 mil, apenas duas vezes mais do que uma mosca, e traz várias informações que os pesquisadores devem explorar para criar medicamentos no futuro.
Anunciado como um fato histórico da ciência, a apresentação da versão mais completa do genoma humano será públicada hoje em várias capitais como Washington, Tóquio, Londres, Paris e Berlim, e de forma simultânea pelas famosas revistas científicas Nature e Science.
Estas descrições científicas constituem uma continuação do anúncio, realizado em junho de 2000 na Casa Branca, de que se havia estabelecido um mapa quase completo do genoma humano.
‘‘Agora, temos que aprender a usá-lo pra compreender a biologia do organismo’’, comentou David Galas do Applied Life Science (Califórnia), na Science.
Depois de mais de uma década de intenso trabalho de investigação sobre o deciframento do genoma humano, considerado como um fato quase tão emblemático como a conquista da Lua, o consórcio internacional público e seu rival, Celera Genomics, empresa privada norte-americana dirigida por Craig Venter, entregarão cada um sua versão ‘‘completa’’, publicadas respectivamente na Nature e Science.
Os dois sequenciamentos estarão disponíveis para a comunidade científica na Internet. O gigantesco trabalho de decifrar o grande livro da vida confirma que o homem possui menos genes do que o previsto, cerca de 30 mil, isto é, apenas duas vezes mais que uma mosca, segundo o professor Jean Weissenbach, diretor do centro francês de sequenciamento humano, um dos primeiros a publicar esta revisão que reduziu o númro de nossos genes com o bioinformata Philip Green.
‘‘Resta compreender como tão pequeno número de genes pode fazer uma mosca ou uma pessoa’’, ressaltou Barbara Jasny, uma das editoras da Science.
‘‘A complexidade do organismo humano não se explica pela maior quantidade de genes’’, afirmou o francês Jean Michel Claverie, especialista da Science.
‘‘A maior diferença entre o homem e a mosca é a complexidade de nossas proteínas’’, acrescentou o norte-americano David Baltimore. ‘‘A Celera oferece análises mais detalhadas das proteínas humanas’’, ressaltou a Nature.
A análise do nosso patrimônio genético mostra especialmente que há muitas áreas quase desertas, com poucos genes, agrupados principalmente em lotes, e pistas de troca de genes com bactérias.
O genoma possui um grande número de variações, mais de duas milhões identificadas pelo Celera têm importância para pesquisas médicas especializadas. Estas mudanças sutis, designadas ‘‘polimorfismos mononucleotídicos’’ ou ‘‘SPN’’, distinguem os indivíduos.
‘‘Elas desempenham um papel na predisposição a todo tipo de doenças como diabetes, Mal de Alzheimer e influenciam na forma como nossos corpos reagem a um medicamento’’, explicou Aravinda Chakravarti (Baltimore, Maryland), na Nature.
Várias questões ainda permanecem sem respostas no âmbito da genética, admitiu Craig Venter. Os cientistas ignoram a função de aproximadamente 40% dos genes, segundo ele.
A partir de agora, os pesquisadores e as empresas têm pela frente um desafio mais instigante ainda do que o mapeamento do código humano: o estudo das proteínas. Esta especialidade, batizada como ‘‘proteômica’’, tem como objetivo identificar fins terapêuticos entre centenas de milhares de proteínas encontradas no homem.
‘‘A investigação nesta área teve um crescimento enorme’’, afirmou Stanley Fields, do Howard Hughes Medical Institute em Seattle, nos Estados Unidos.

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