Enquanto Washington renovava a ameaça de ataque ao Iraque e grupos de oposição prometiam em Londres trabalhar juntos para depor o presidente Saddam Hussein, a agência oficial INA informou ontem que o número 2 do regime iraquiano, Izzat Ibrahim, escapou domingo de uma tentativa de assassinato no sul do país. Segundo a agência, desconhecidos jogaram duas granadas contra o vice-presidente do Conselho do Comando da Revolução (CCR) quando ele saía de seu carro em Kerbala, uma cidade sagrada para os muçulmanos xiitas.
Ele escapou ileso e, como previsto, representou Saddam numa cerimônia religiosa, mas vários guarda-costas e civis ficaram feridos, assinalou a INA.
Muçulmano sunita, Ibrahim tem por volta de 65 anos e acumula os cargos de vice-presidente, vice-secretário-geral do Partido Baas e vice-comandante-geral das Forças Armadas. O atentado de domingo foi o primeiro contra um importante dirigente do país desde dezembro de 1996, quando o filho mais velho de Saddam, Uday, foi gravemente ferido em Bagdá.
Kerbala, situada 100 quilômetros ao sul de Bagdá, é o berço da oposição xiita contra Saddam. Ela foi uma das principais cidades a levantar-se contra o presidente na esteira da derrota iraquiana na Guerra do Golfo, em 1991, e foi controlada por militantes anti-Saddam por vários dias antes que tropas leais ao presidente esmagassem a rebelião.
Apesar disso, rebeldes xiitas têm lançado, desde então, ataques relâmpagos contra alvos governamentais. E as esperanças dos xiitas e de outros grupos oposicionistas de depor Saddam aumentaram depois que, dias atrás, os EUA e a Grã-Bretanha prometeram trabalhar com eles para alcançar esse objetivo.
Seguindo essa estratégia, o ministro júnior da chancelaria britânica, Derek Fatchett, pediu ontem a representantes de 15 grupos de oposição iraquianos que se unam para substituir Saddam e apresentem ‘‘propostas precisas’’ que possam ser apoiadas por Londres para a deposição do presidente.
‘‘É quase inconcebível imaginar que o Iraque sem Saddam não seria um país melhor’’, assinalou Fatchett. Ele pediu também que a oposição reúna todas as provas possíveis para julgar Saddam num tribunal internacional por crimes contra a humanidade.
Os grupos prometeram deixar de lado suas divergências. ‘‘A oposição está muito unida em seus objetivos: a remoção de Saddam e o estabelecimento de uma alternativa democrática no Iraque’’, disse Nabil Musawi, do Congresso Nacional Iraquiano (organização que inclui diversas facções oposicionistas).
‘‘Pedimos aos governos britânico e americano que façam um claro pronunciamento público em apoio à oposição’’, acrescentou. ‘‘Não queremos que eles abandonem seu compromisso quando as coisas ficarem muito quentes.’
Inspeções de surpresa Inspetores em desarmamento das Nações Unidas (ONU) realizaram ontem ‘‘inspeções-surpresa’’ em oito sítios do Iraque, dos quais um não estava incluído entre os que estão sob vigilância permanente da ONU, de acordo com um dirigente iraquiano. Segundo o general Hossam Amin, chefe do Departamento de Vigilância Nacional, encarregado das relações com a UNSCOM, as inspeções foram feitas por ‘‘nove equipes da Comissão especial da ONU para o desarmamento iraquiano (UNSCOM) e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)’.

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